Num tempo passado, se bem que recente, manifestei-me pouco entusiasmado com algumas obras públicas que se fizeram na ilha do Porto Santo. Desconfiava do sucesso de alguns projectos de um tempo novo, que enfileirava em determinado sítio o que pretendia ser o divertimento dos veraneantes que afluem à ilha em tempo de férias.
Falava-se de que o ‘barulho’ ficaria circunscrito a uma zona sem habitações, que poderiam abrir até altas horas sem incomodar locatários. Enfim, um convite aos excessos,e não demorou muito tempo já uns senhores da cidade andassem à cadeirada nesse local. De resto, e segundo sei, foi mais um empreendimento falhado. O tempo acabou por me dar razão e quem contestou o que então escrevi deve estar agora com a ‘viola metida no saco’ como se costuma dizer dos que falam demais e sem razão.
Tenho-me por tolerante, embora isso não seja uma virtude. Antes uma concessão, já que se tolera o vadio, o negligente e o incompetente, porque, muitas vezes, coitadinhos… são mesmo assim. Ser do contra não é o meu desporto. Por isso, o resto que se fez no Porto Santo valorizou a ilha e criou focos de interesse para quem lá vive e para os que lá se deslocam para aproveitar a sua ‘santa’ praia. Meu avô que sofria de reumatismo, por lá ficava de vez em quando, há mais de cinquenta anos, numa ocasião em que não existiam estudos científicos suficientes, mas a certeza de que a sua areia era ‘milagrosa’.
Ontem ao ler este jornal deparei-me com um campo de golfe seco. Foi a grande estrutura que a ilha ganhou e que lhe garante uma parte importante do seu futuro como destino turístico e que sustenta o trabalho de alguns portossantenses. A mancha verde numa ilha tradicionalmente amarelecida marcava a diferença. Nem sei bem porque isso aconteceu. Mas não preciso de mais justificações. Quero protestar com a força que este escrito tem, e apontar para um crime que se cometeu, empobrecendo o futuro da ilha nos tempos mais próximos. Porque tudo leva tempo e dinheiro a reconstruir. Uma asneira que será tolerada, certamente, que vai custar mais dinheiro à Região, que terá de inventá-lo, porque houve alguém incompetente que não cuidou como devia do que pertence ao erário público. A culpa foi da água que não chegou aos tubos de rega. Só pode ter sido…
Catanho Fernandes