A indisciplina dos alunos é um dos problemas mais complexos de resolver,os professores fazem muito, empenham-se com todo o profissionalismo, mas nunca é o suficiente. Escrevo umas linhas para reflexão, ciente do papel inclusivo da escola e sem esquecer que os alunos possuem inteligência e uma história.

Cada uma das situações de indisciplina está sinalizada e é acompanhada. Os projetos da escola atuam, os pais são ouvidos, a Comissão deProteção de Crianças e Jovens possui os relatórios e assina acordos com as famílias, a Polícia Segura intervém e alguns dos casos já se encontram em tribunal.

A responsabilização dos alunos e das famílias e a salvaguarda da autoridade do professor são pilares fundamentais para o sucesso da educação. Estes pilares não se conquistam com decretos, nem com estatutos e muito menos com uma estratégia de hostilidade contra os alunos, alcançam-se com trabalho colaborativo, muita coragem, persistência dos professores e com o imprescindível apoio da família e dos parceiros locais.

Não é fácil aceitar determinados comportamentos,no entanto, os professoresenfrentam esta dura realidade de forma heroica, porque estão a trabalhar com crianças e jovens.

Alguns destes alunos e alunas vivem em contextos de extrema pobreza económica, social e, fundamentalmente, cultural, são alvo das mais diversas formas de violência, algumas impensáveis, muitos estão sós, em constante sofrimento,outros, por muito que nos custe aceitar, sofrem de hiperatividadee mesmo que sejam punidos, como acontece, o problema permanece.

Urge dar seguimento à estratégia da prevenção, criando uma outra cultura de mútua responsabilidade. Torna-se imprescindível apostar na construção deprojetos de acompanhamento das famílias, continuando a investir numa intervenção precoce, trabalhando as aptidões pessoais e sociais, intervindo junto destas famílias a nível do treino e promoção de competências e capacidades que as ajudem na gestão da sua função parental, respeitando, todavia, a sua realidade dinâmica e a sua dignidade inalienável. Os resultados não surgem de imediato, mas não desistimos da nossa missão social.

Rui Caetano