Portugal alivia-se da tutela estrangeira. Digamos que recupera a independência nacional depois de três anos de gestão vigiada, qual Estado irresponsável, incompetente e de seriedade duvidosa.
Para a História fica a democracia e a liberdade como valores que não soube assumir nem com eles conviver.
Esta perda de independência não se deveu a qualquer invasão espanhola ou francesa, sucessão dinástica com desfecho favorável a pretendente estrangeiro, ou por ordem expansionista de Putin ou Obama. Não, nada disso. É da única e exclusiva responsabilidade do povo português, o qual, já segundo os romanos, “não se governa nem se deixa governar”. O que até já se alterou na medida em que continua a não se governar mas já se deixa governar por uma qualquer Troika estrangeira.
A verdade, que não é dita, é que as gerações portuguesas actualmente na vida activa já não vão ter tempo de recuperar o nível de vida, conforto e segurança familiar de que usufruíram entre 1985 e 2005.
Primeiro, porque esses foram anos de gestão financeira artificial, enganosa e até, em certos aspectos, criminosa. Os políticos gastaram o que tinham e o que não tinham como forma de atrair o eleitorado. Levaram-nos à falência nacional, ao descrédito internacional e ao desespero individual e colectivo. Muitos ao suicídio.
Segundo, porque não está prevista qualquer solução económica que nos leve ao desafogo financeiro e à satisfação social. Sem isso não se torna possível a subida de nível de vida para as famílias.
Ou seja, nada vai melhorar para os portugueses. Nem mesmo a esperança de sonhar que os filhos vivam melhor que nós.
Ninguém sério vai poder prometer o que quer que seja, a não ser continuar esta vida de sacrifícios por muitas gerações.
Portugal será assim no futuro próximo. Mas a Madeira pode escapar a tão pesado destino. Se optar por uma via claramente autonómica, consenso alargado sobre o essencial, governação diferente centrada no aumento das receitas, na prioridade da poupança, no combate ao desemprego, na baixa de impostos, na preparação dos jovens e na elevação da qualidade de vida das famílias, em particular os idosos e os que necessitam ajuda e sustento.
Tudo o que já se sabe ser possível e quem o propõe.
Apelo a que nos disponhamos partir para uma Nova Madeira, destinada à satisfação das necessidades das famílias madeirenses e porto-santenses, a partir de um quadro de desenvolvimento regional que a todos dê oportunidades de realizar um nível de vida que orgulhe e faça as novas gerações prosperar.
Voltamos ao tema na próxima semana. Porque não podemos desistir! PS: Será que em política tudo é possível? Oiço dizer que o Ali-Babá se vai candidatar! Toda a gente comenta isso. Sei de gente que diz que lhe foi pedida assinatura de apoio. Mas aqui nesta terra há notícias que não podem ser noticia.
Miguel de Sousa