Mais uma vez, uma grande competição de futebol foi decidida através da marca de grandes penalidades. Estamos a falar da Liga Europa onde após 120 minutos, houve necessidade de recorrer às grandes penalidades, para encontrar o vencedor. O Sevilha foi mais forte, para alguns, teve mais sorte, para outros.

A diferença é minúscula na palavra, mediante o interesse de cada um, é só trocar o f pelo s, no entanto na prática, é enorme.

Embora, tenha plena consciência, de que os imponderáveis acontecem, em que há uma percentagem, mínima na minha opinião, de situações difíceis de controlar, daí a beleza do futebol, eu não acredito em lotarias, acredito no trabalho, na competência, e principalmente no treino, e a tudo o que lhe é inerente.

Aceito que se diga, que a melhor equipa durante os 90 ou 120 minutos acabou por não ganhar, o que também na minha opinião, foi o caso desta final, agora, não consigo compreender, é que se defenda, que o vencedor tenha sido premiado pela lotaria dos penáltis. E então o guarda-redes Beto teve sorte? Não tem mérito?

Porque será que o treinador do Benfica disse em tom de justificação, que Beto conhecia bem os jogadores do Benfica? Se fosse só sorte, parece-me que esta afirmação não se justificaria. Será que os jogadores do Sevilha, ao contrário dos do Benfica, remataram para a zona superior da baliza, por sorte? E o aspeto mental, a tranquilidade no momento da marcação, não conta?

Recentemente, para a Taça da Liga, as contingências do jogo, ou seja, o facto, da sua equipa ter ficado com um jogador a menos, fez com que Jorge Jesus percebesse, que defendendo bem e levando a decisão para a marca de grandes penalidades, teria grandes probabilidades de sucesso. Porquê? Pensou que teria mais sorte? Não, porque sabia que mentalmente, os jogadores do Benfica estavam muito mais fortes e preparados, daí o resultado. O Benfica não teve sorte, ganhou porque foi mais competente, foi melhor.

Se fosse pela sorte, porque será que normalmente, é sempre o mesmo jogador a marcar as grandes penalidades? Se fosse assim, qualquer um as podia marcar, certo? Parafraseando Roger Federer, “ter sorte dá muito trabalho”.

Bruno Abreu