Luis Miguel S. Velosa Aprendi no último ano que a pobreza nada tem haver com a miséria humana. Aprendi que existem pessoas capazes de atrocidades em nome de nada. Aprendi que a verdade pode tornar a vida de uma criança num inferno. O que fiz eu?, o que fizeram os meus filhos de 6 e 8 anos? Eu chamei a atenção de uma educadora para que tivesse cuidado com as crianças. Pedi-lhe que cuidasse delas como se fossem suas. Pedi a uma professora que aceitasse a realidade destas crianças umas melhores do que outras, umas com mais necessidades outras... não sei. Dou por mim em desespero, pergunto-me porque chegamos a esta situação de guerra psicológica contra os meus filhos em particular e contra todas as crianças em geral desta escola. O que fizeram os outros pais? Aceitaram a realidade da vida, os mais fortes a caçarem os mais fracos. O sr. professor tem sempre razão, é estudado. (refiro-me a estes em particular). Falo de pessoas sem auto-estima, desempregados, indivíduos perdidos e sem trabalho. Não os posso criticar. Não conheço as suas realidades. Neste momento o meu filho está a chorar na minha cama e não sabe porque está triste. Apenas chora.

Apenas não quer ir amanhã para a escola. Eu também choro com ele e que mais posso fazer? Se grito, sou mal educado, se reclamo os meus filhos são crucificados, se me calo endoideço.

A verdade desta escola em particular é que nada vai mudar. Vou tirar dalí os meus filhos e esperar nunca mais me lembrar que existem tais personagens à face desta terra. Hábitos enraizados do tamanho das raízes das árvores que habitam esta escola, maledicência, pura maldade no coração daqueles que nem sabem que já não têm coração. Pois se o tivessem não tratavam as crianças assim. Cuidem das crianças para não ter que julgar os adultos.

Ainda vamos a tempo...