Os últimos dias mostraram que a Madeira não precisa de uma mudança. A Região tem urgência de uma verdadeira transformação. A cosmética pode ser eficaz durante algum tempo, mas não resolve problema nenhum e, quando utilizada em excesso, torna mais feio aquilo que supostamente queria embelezar.
O que urge é responsabilidade, responsabilidade essa que abra caminho a que se discutam de forma seria os problemas, em todas as áreas de governação, buscando-se soluções que permitam combate-los eficazmente. Debates que não sejam estéreis, que não se resumam aos “cinco minutos para a comunicação social”.
O que urge é ouvir quem realmente tem alguma coisa para dizer e deixarmo-nos de lugares comuns, dos chavões que marcam a vida quotidiana, porque está toda a gente farta de “mais do mesmo” ou de “mais de qualquer coisa parecida”.
O processo de transformação, como qualquer outro que rompa com aquilo que está há muito estabelecido, será lento, não estando isento de dor. Mas terá forçosamente de iniciar-se.
Existem opções que terão de ser tomadas, com firmeza e com audácia. E que têm imediatamente de começar a ser discutidas.
Para terminar, no caso da maior autarquia da Região, o desejável agora é que a renovada vereação da Câmara Municipal do Funchal encontre alguma estabilidade, que permita pelo menos cumprir o mandato, mesmo que à base de “serviços mínimos”. No tempo certo, os munícipes pronunciar-se-ão sobre o assunto.
Que estes dias sirvam de lição, quer para quem governa, quer para quem é governado. A Madeira no seu todo não está em condições de falhar. Adaptando Ortega Y Gasset, é tempo de se pensar nas próximas gerações e não apenas nas próximas eleições.
Gonçalo Nuno Santos