À hora que escrevo ainda não são conhecidas as principais linhas do documento de estratégia a médio prazo que o Conselho de Ministros anunciará em tom de celebração pelo trabalho que prestou, e vai continuar a prestar, devotamente à troika mas não é difícil adivinhar que o discurso irá, mais uma vez, adoptar o registo populista e enganador com que a horda de psicopatas que constituem o governo nos tem brindado ao longo dos últimos 3 anos. Vai ser mais do mesmo: elogiar-se-ão uns aos outros, apresentarão um chorrilho de dados manipulados e irão jogar mais ou menos habilidosamente, com as palavras falando em alívio quando na verdade, dizem mais austeridade e mais humilhações para os portugueses. Lembram-se do argumento que justificava a intervenção da troika? Era necessário conter o endividamento público. Pois é! Hoje, decorridos 3 anos, somados cortes brutais e cegos na despesa pública, vendidas a preço da chuva empresas fundamentais do Estado, cobrados cada vez mais e maiores contribuições e impostos sobre os rendimentos do trabalho, forçados a sacrifícios de toda a ordem, a dívida pública disparou de forma nunca vista. Os dados do Banco de Portugal, do INE e dos Relatórios do Orçamento de Estado (2011-2014) são conclusivos: nos últimos 3 anos a dívida pública agravou-se, o valor obtido com o corte na despesa pública e com o aumento de impostos (28.247 milhões de euros) foram direitinhos para pagar só os juros da dívida aos credores, ou seja, 28.528,8 milhões de euros entregues nas mãos do FMI, da UE e dos grandes grupos financeiros. Em 2012 havia 1,9 milhões de portugueses a viver no limiar da pobreza e hoje? (E na Madeira onde muitas das conquistas de Abril nem sequer chegaram?). Entre 2010 e 2013, no nosso país, desceram em 14%, a procura interna, em 29%, o investimento, em 6%, a criação de riqueza e em 10%, o consumo. Os números do desemprego recuaram aos de há 17 anos, só nos primeiros 3 meses deste ano perderam-se 42 mil postos de trabalho. Estamos, portanto, todos de “parabéns”! O que Paulo Portas, Passos Coelho e Cavaco Silva, sob o olhar desconsolado de Seguro por não ser ele o protagonista deste crime, comemoram é o fim de um país a que oitocentos anos de História não salvam da extinção se não revertermos este caminho rapidamente.

Isabel Cardoso Professora