A mudança é a única forma de evoluirmos, de progredirmos, de atingirmos patamares mais promissores. Sendo assim, talvez seja oportuno perguntar porque é que ela é tão difícil? As respostas são com certeza muitas e grande parte delas profundíssimas. Mas estou certo que conhecemos algumas. Porque encerra riscos. Porque determina alterações no status quo. Porque envolve mecanismos de distanciamento que assusta os que alimentam e se alimentam do sistema e, não menos importante, porque mexe com o modus operandi estabelecido, alterando protagonistas e distribuindo poder. É por isso que a mudança tem tanta resistência. É por isso que a mudança deve ser acompanhada de um projecto alternativo sólido. Mudar é pois um processo difícil, que exige coragem, bom senso e muita sabedoria. Sabemos bem que para mudarmos precisamos acreditar que esse (o caminho da mudança) é mesmo o melhor caminho. Sem essa convicção, jamais alguém se atira de cabeça, e com toda a sua energia, ao desafio de combater o que já não acredita. É por tudo isto que a mudança é assustadora. Porque obriga a olharmos de modo diferente, a sairmos da monotonia do quotidiano e tentarmos enfrentar os obstáculos à mudança. Não se trata de um medo abstracto. É verdade que os poderes instituídos não são muito amigos dos caminhos alternativos. A tendência, é responder à mudança com conservadorismo. Mascarando o processo de mudança até extingui-lo. Devemos, por isso, estar atentos: se queremos mudar devemos insistir, persistir, calibrar o caminho e retomar o percurso, sem apagar o espírito da mudança. É também por isto que quero sublinhar o seguinte. O meu envolvimento na política aconteceu porque estava, e estou, convicto que é preciso mudar. Que a mudança definitiva na Madeira é o melhor caminho para todos. Que permitirá um salto no nosso desenvolvimento, envolvendo outras ideias, outros protagonistas e um projecto mais integrador, onde todos se sintam parte dele. Foi para isso que lutei: que desmascarei durante anos a incompetência de um governo que afogou os madeirenses em dividas irresponsáveis e que alimentou um grupo de oportunistas que viveram sempre de arranjos e arranjinhos, estimulados pelo dinheiro público, muito dele agora às costas dos madeirenses, numa divida colossal. Não sei se são Sousas, Farinhas, Jardins ou Ramos. Só sei que existem, que andam por aí, que nos prejudicam e que estão na origem da calamidade da Madeira. Por isso, a mudança não é deste ou daquele. A Mudança é dos madeirenses e ninguém pode querer ter a ousadia de pensar que personaliza um qualquer D. Sebastião. Estou certo que nenhum madeirense quer a versão moderna de Alcácer-Quibir! Respeitemos a história de quem luta há muitos anos por uma Madeira melhor.
Carlos Pereira - Líder parlamentar do PS-M