Comecemos pela Educação. Sinónimo de formação ao longo da vida, tem nos seus ciclos iniciais o seu ponto fulcral no que diz respeito à transmissão de valores e princípios norteadores que se irão guardar para futuro. Assente em 3 pilares: aluno, professor e conhecimento, é validada pela escola no seu Projeto Educativo e órgãos de representação onde, ética e deontologia andam de mãos dadas. Passemos ao Entretenimento: sinónimo de mercado artístico e laboral onde profissionais da área do espetáculo, devidamente licenciados, coletados nas Finanças e na Segurança Social ganham a vida. Assistimos à concorrência desleal noutras profissões. No outro dia, a Bastonária da Ordem dos Advogados fazia menção a essa ingerência na atividade daquela classe profissional. Lembremo-nos também da Ordem dos Arquitetos que fez uma verdadeira cruzada nos anos 90 contra os ‘’desenhadores’’ e ‘’engenheiros’’. O sintoma é o mesmo no mundo das artes de palco. Mais de 50% das iniciativas públicas ou privadas, do pequeno mercado artístico madeirense, têm a mão das ‘’associações sem fins lucrativos’’ que cobram cachets mas não pagam salários. Os pais e encarregados de educação devem estar informados sobre as atividades artísticas desenvolvidas pelos filhos menores. Nalguns casos a natureza dessas práticas ultrapassa o âmbito escolar, a formação cultural e a ocupação dos tempos livres. É com a sua permissão que assistimos a atuações de grupos constituídos por crianças e jovens em hotéis, feiras, centros comerciais e um pouco por todo o lado, em grandes eventos virados para o turismo. Para criar um futuro sustentado na música, teatro e dança, não basta abrir cursos profissionais. É necessário separar águas, nomeadamente estas realidades que se confundem. Educação não rima com Entretenimento. Qualificação não rima com quantidade. Certificação não rima com oportunismo.

Vítor Sardinha - Músico