Desintegra-se a coligação que lidera a Câmara Municipal do Funchal. Como previsto e anunciado. Sem respeito pelos eleitores que, por uma ou outra razão, resolveram dar confiança a quem parece não merecer. Afinal, mudança nenhuma Projectos políticos de acesso ao poder, sem coerência ideológica ou aproximação de valores e credos, caem sempre vítimas das suas próprias contradições. Forçar o encontro de plataformas de poder a partir de cedências dos princípios que a cada um orienta na vida, apenas para derrotar e substituir o que é coerente e homogêneo, é efémero, mesmo fulminante. Muitos dos que se envolveram nessa aventura, condenada ao insucesso imediato, certamente já terão compreendido o logro e o abuso de que são vítimas. Joguetes que se instrumentalizam na medíocre cena política regional. Repito: nada que não tenha sido previsto e anunciado. Nem mais divida nem tantos impostos Há que encontrar uma linha de estabilidade política capaz de assegurar um rumo firme contra a crise. É dispensável qualquer espectáculo político que não promova a recuperação da nossa situação financeira e económica, para atingir metas de satisfação social condizentes com as nossas expectativas. E estas são: eliminação do desemprego, redução dos impostos e aumento das pensões. O desemprego é o maior dos flagelos que atinge a esmagadora maioria das famílias madeirenses e porto-santenses. Cada posto de trabalho criado é um bem precioso para quem o ocupa. A satisfação pessoal e familiar que levanta o ânimo e inspira confiança e optimismo. O apoio à actividade económica, geradora dos indispensáveis empregos, é a solução. Só que, dinamizar a economia não é gastar dinheiro em obras nem a comprar bens ou serviços. É poupar e reduzir os impostos às pessoas para que haja mais poder de compra e mais actividades económicas em geral. Baixar os impostos é premente. Sabemos que temos encargos assumidos que temos de honrar. É indiscutível que se exige uma gestão de rigor e sem desperdício. Encontrar receitas extra através do Centro Internacional de Negócios da Madeira é o desafio que a competência da governação tem de concretizar. Para que seja possível, entre tudo o mais, garantir uma velhice condigna e satisfeita. A mim sufoca-me ver a governação tão dedicada no mostrar de obras em curso, como se elas fossem o símbolo do sucesso, da competência ou do trabalho exemplar. Em mangas de camisa, sempre com braço estendido e dedo apontador, quais entendidos na matéria. Muito pouco, como se sabe pelos exemplos que por aí se vêm. Só na cabeça de algum dirigente político, directamente interessado na construção civil, as obras públicas podem ser um objectivo capaz de promover uma economia sustentada e assegurar uma continua e crescente dinâmica económica. A economia tem de ser as actividades que se bastem a si próprias, não as suportadas pelos impostos das pessoas. O governo não faz parte da economia. Vive da cobrança de impostos e contração de divida pública. A Madeira não pode ter mais divida e o povo não pode pagar mais impostos. O povo não pode estar a trabalhar e a pagar impostos para que os governos passem o tempo a fazer obras e a gastar o dinheiro. Até o ano 2000 foi feito o essencial. Época de glória para recuperação de séculos de desprezo colonial. Tudo feito e, no final, sem dívida pública. Os melhores 25 anos da História da Madeira. Mas de 2000 para cá foram excepção as obras que fossem mesmo necessárias. Para tanta dívida. A capacidade de sofrimento das pessoas não é ilimitada. Bem pelo contrário. E está esgotada. Agora, o governo tem de mostrar que todo o dinheiro é para ajudar as pessoas e as famílias. E as empresas, que sustentam os postos de trabalho pagos pela actividade económica que geram. Não os postos de trabalho pagos pelos seus impostos. Estes temas são os fundamentais a discutir. Mas pelos vistos não se vislumbra interesse em deixar claras as diferentes opções. Se as há! Para tudo manter na mesma ? Não devem saber fazer diferente. Não fizeram!

Miguel de Sousa - Candidato à liderança do PSD/M