
No momento em que escrevo este texto não sei se ainda há maioria na Câmara do Funchal, se vai haver eleições intercalares ou distribuição de pelouros pelos motoristas dos carros pretos que foram encostados. O que sei é que, em apenas sete meses, a 'Mudança' conseguiu um novo recorde: desbaratar o maior capital de confiança política de que havia memória na Madeira.
Por muito estado de graça que se conceda a quem começou nestas coisas há pouco tempo, há auto-golos que, como dizem os velhos da bola, não são azar... são aselhice.
E o certo é que esta 'Mudança', que empolgou os funchalenses e se estendeu a toda a Região, promovendo um dos resultados eleitorais mais impressionantes, em 40 anos de democracia nesta terra, tem somado erros que já deixam muito pouca margem de manobra e ameaçam ser fatais.
E tudo começou, é verdade, com aquela infantilidade de dispensar os carros da câmara, uma decisão apenas justificada pela necessidade de agradar a clientelas eleitorais radicais e sem qualquer argumento lógico. Uma medida que serve para um panfleto de campanha mas que não se admite a quem tem de gerir um dos municípios mais importantes do País e ocupar o segundo cargo político de maiores destaque na Região, só atrás da presidência do Governo.
Depois foi sempre a somar, perdão, a subtrair, por muita boa vontade de fazer bem que se reconheça aos protagonistas, dos dois lados do conflito interno da coligação.
Mas querer fazer bem, querer trabalhar para a cidade e para os funchalenses, tem uma condição de base obrigatória: tirar muito ar aos egos insuflados que não ajudam a raciocinar.
Os resultados de Setembro foram uma verdadeira bomba, mas não só para o PSD, que apanhou com uma carga nuclear eleitoral em cima e ainda está zonzo e aos trambolhões. Para parte da oposição, o efeito do sucesso também teve consequências negativas.
Por alguma razão que não se vislumbra, sobretudo porque alguns dos envolvidos andam nisto há muitos anos, pensaram que toda aquela montanha de votos autárquicos era fruto dos seus lindos olhos, do seu programa ou das suas listas de candidatos. Erro grave. Parte era sua, mas o maior volume da pilha de boletins era de outro partido: o do protesto contra o líder do PSD-M, o grande derrotado das eleições. Por tudo isso, sobretudo porque o Funchal precisa de uma câmara e não de uma passerelle de vaidades, era bom que tomassem juízo, governassem ou, se não houver solução, digam que não se entendem e que o povo decida. O que a cidade em que moro não pode aturar, por muito mais tempo, é esta telenovela mexicana de casa e descasa, ciúmes e traições. Já chega, a festa acabou e é tempo de trabalhar, se fazem favor.