Reparem nas nossas ribeiras,... todas betonadas. Onde outrora as pessoas tinham acesso ao seu leito e passavam nem que fosse de pedra em pedra, ou de pedra em poça para a outra margem, agora isso é impossível. O pé tem de ficar firmemente no betão,... alegadamente por razões de segurança. Os Funchalenses em particular, estão a ser divorciados do elemento natural, chegados à costa já não há senão … betão.
Será que os nossos governantes não têm qualquer sensibilidade para a preservação do elemento natural? E que tal preocupações com questões estéticas? Se não for por causa dos próprios madeirenses, que percebam a importância destas questões para a nossa economia, i.e. para os turistas! Sou céptico de que a mudança venha com os actuais protagonistas, pois num reunião com o Vice-Presidente Dr. João Cunha e Silva, os açudes foram considerados, para além de estruturas de segurança, elementos com beleza estética.
Soluções que visem preservar características naturais não são antónimas de soluções seguras. Um exemplo reconhecido internacionalmente foi a renaturalização do Vale de Samedan, apresentado no auditório da UMa no passado dia 2 de maio pelo Eng. responsável Suíço Andri Bischoff. A representação parlamentar do PAN que organizou este evento, considerou este projecto como sendo oportuno e proveitoso para a RAM em três vertentes: (i) Aprender com os erros dos outros, (ii) dar a conhecer um exemplo de sucesso da aplicação prática do conceito de (re)naturalização, e finalmente (iii) demonstrar a importância de envolver as pessoas em todas as fases de um projecto como aconteceu neste da Suiça.
Não estamos condenados senão pelo hábito a fazer sempre os mesmos erros, a pensar sempre da mesma maneira. Existem alternativas à Ilha de betão.
Rui Almeida