Ironia das ironias, o Documento de Estratégia Orçamental, que é basicamente a estratégia (ou falta dela) do Governo para os próximos anos, expiados os demónios da ‘troika’, ficou comumente conhecido entre os mortais, deste país definhante, por DEO, que é qualquer coisa como Deus em latim.

O que confunde. Se é verdade que o DEO do Governo é omnipresente como o outro, não é menos verdade que em tudo o resto é a sua antítese. Por mais que recorde o aprendido em anos de catequese não me consigo lembrar de um DEO mentiroso na sua génese.

E o documento do Governo, o mesmo que na oposição chamava pinóquio ao primeiro-ministro anterior, que quis e fez por substituir com base num caderno de encargos de moral superior, é um embuste total. Como o é esta pandilha que tomou o poder de assalto quando entendeu, depois de dizer que não tinha pressa de ir ao pote, mas sem perder a oportunidade de se lambuzar no mel, que este país ainda vai representando para a classe de jotas engravatados e irresponsáveis, que tomou conta do país.

Não há desculpa alguma para que em duas semanas se tenha passado de um “não haverá aumentos de impostos” para o que agora se viu. Não há surpresas ou desconhecimento da realidade a aludir, só há a ‘troika’ para culpar. Mas, se o dossier não estava fechado, porquê iludir os cidadãos? Mentir pelos vistos já lhes está no ADN e depois queixam-se que estão desacreditados. Já não bastava o cidadão votar com base num programa eleitoral que é metido na gaveta no dia da tomada de posse, como agora é enganado descaradamente numa base diária.

O DEO do Governo não é o DEO das pessoas, a quem só resta apelar a um DEO todo o poderoso que os ajude.