Mais um momento eleitoral se aproxima, onde se elegem os representantes no Parlamento Europeu, uma estrutura “menor”, no quadro das decisões da UE, onde quem verdadeiramente detém o poder, são um conjunto de não-eleitos tecnocratas que escapam à malha do sufrágio popular.
Quase duas dezenas de forças políticas portuguesas arregimentam-se, para este combate, num quadro político interno muito requentado pela política doméstica, ditada por um plano compressor – também ele europeu – sob um eufemismo enganador designado de “ajuda” e de “ajustamento”, com uns “facilitadores” internos que elegemos.
Logo irrompe a propaganda panfletária e demais arrebites cujo tempero escorre desde os mais eurocépticos, até aqueles que acreditam na efectiva viragem da Europa, para aqueles seus primordiais fundamentos da coesão e solidariedade, entretanto desbotados no tempo e riscados da agenda europeia.
A campanha destas eleições europeias, que cronicamente provocam um grande desinteresse entre a generalidade da população - a julgar pelos níveis de abstenção - apresentará este ano, um acrescido factor de ruído, pela lastimosa situação portuguesa, infligida pelos ditames externos. A juntar a tudo isso, acresce o tipo de “saída” do “ajustamento” – pois além dos irlandeses, seremos nós a segunda vaga de ratinhos de laboratório – há o presidencial apelo ao consenso entre os três partidos do arco governativo (PSD/CDS/PS), que visa em última análise anular o efeito das eleições. Mas, o pior, é que qualquer um destes três partidos principais – que respondem na sua medida pelos eventos do Portugal da era democrática – estão completamente esgotados nas suas soluções e cristalizados sob o pus de interesses e pressões que infectam a democracia.
O espectro político dominante não se diferencia. Respondem em ténues cambiantes e sabemos bem, como facilmente se aliam perante o sofisma do “interesse nacional”, que em “politiquês” apenas significa adoptar medidas impopulares, que nunca são ditas em campanha.
Por isso esqueçam as palavras vãs, repetidas e reeditadas até à exaustão. A Europa periférica não pode se manter refém das “inevitabilidades” que torna este mundo, cada vez mais desigual, onde mais não somos, do que uns seres a serem (democraticamente) pastoreados por longas décadas.
Donato Macedo