Objecto de escárnio nacional e símbolo da utilização sem critério de dinheiros públicos, a apelidada “Bridge to Nowhere”, serviria de ligação a uma zona remota e quase deserta do estado do Alasca, nos Estados Unidos da América. Uma vez cancelado o financiamento que permitiria a construção da ponte, a - à data - governadora estadual Sarah Palin não se fez rogada e avançou com a construção da via de acesso à ponte. Resultado final, uma estrada com 5 kms de extensão, financiada por 223 milhões de dólares dos contribuintes americanos e com um sentido tão inexistente, quanto a sua utilização. Chegados à Madeira, salta à vista a abundante infraestrutura construída pelo Estado, sob a forma de pontes, estradas, centros cívicos, museus, entre outros. Se estou certo de que alguns investimentos foram mais acertados que outros, não tenho qualquer dúvida que sobre o mesmo investimento recairão um sem-fim de opiniões divergentes – não é esse o meu propósito. Salvo algum devaneio demolitório, a infraestrutura construída existe e é um desafio colocado aos actuais e futuros decisores políticos da Madeira. Qual a função a dar a edifícios actualmente sem utilização? Quem suportará os custos de manutenção da infraestrutura existente? E por fim, qual a estratégia de investimento público no futuro? Parece-me óbvio que, independentemente do propósito com que foi construído, um equipamento público fechado é uma contradição com a utilização de dinheiros públicos. Por outro lado, e quanto à sustentabilidade, julgo inevitável a abertura aos privados da exploração de algumas infraestruturas, desde que garantida maior eficiência do que a mesma actividade feita pelo sector público. Por fim, e porque política é futuro, é urgente uma renovação de toda a estratégia de investimento público, colocando ênfase nas pessoas e na sua qualificação, nas empresas e na sua modernização.

João Paulo Marques