Os últimos tempos têm sido profícuos em artigos de opinião e escritos políticos alusivos a personagens de banda desenhada. Recordo-me do Tio Patinhas do Dr. Miguel Albuquerque, o Dragon Ball do Tiago Freitas ou até mesmo as alusões à Alice no País das Maravilhas…

De facto, e permitam-me a brincadeira, mas o nosso espectro político regional há muito que se inclina para um qualquer conto de banda desenhada onde se conjugam personagens de várias histórias…

Imaginemos um conto onde entram personagens como o Chapeleiro Maluco e o Coelho Branco apressado, um assustadiço Scooby Doo que imagina fantasmas, um Lucky Luke defensor da justiça mas que sem querer vai dando um tiro no próprio pé, um Tio Patinhas milionário e avarento,… Estou certo de que, com pouco esforço, conseguem estabelecer um paralelismo com a vida real.

Mas, é de facto na vida real que nos devemos focar. Devemos começar a olhar para o dia-a-dia de todos e tentar dar um contributo positivo para o bem estar comum.

É fácil convocar os jornalistas para apresentar uma série de medidas populistas. É fácil agarrar na pena e redigir um rápido artigo de opinião de três colunas, falando de algo que até faz falta aos que ainda leem notícias. É fácil visitar um qualquer espaço público e afirmar que conseguiria fazer melhor. É ainda mais fácil “blogar na net” e, sob anonimato, apontar o dedo a tudo e a todos. É tão fácil apontar e mais ainda criticar.

Atente-se então à nossa realidade. A geração dos meus pais viveu uma enorme evolução social e cultural. Recordo relatos da chegada da eletricidade, da água potável, das redes de saneamento básico, do telefone, da televisão, da internet, do telemóvel, do cabo… foi uma revolução em menos de 40 anos e que resultou na sociedade que atualmente a conhecemos. Com um rápido exercício podemos perceber como são importantes as mudanças que ocorreram: consegue viver em sua casa sem luz ou sem água durante um dia? Consegue passar um dia sem ligar a sua televisão, sem receber uma chamada ou sem colocar um “gosto” numa qualquer página de facebook?

É fácil criticar o passado. Durante este período de tempo, foi o PSD maioritário em termos de governação, e foi ele o principal responsável por esta revolução tranquila. Temos de ser coerentes e reconhecer que muito do desenvolvimento que alcançámos se deve principalmente ao Dr. Alberto João e aos seus elencos governativos. Creio que neste capítulo até a própria oposição o reconhece. Aceito, contudo, que poderemos discutir se uma ou outra obra seriam efetivamente necessárias, bem como poderemos debater se todos os investimentos foram aplicados da melhor das formas ou com o retorno correto. As opiniões serão certamente distintas, e eu respeito-as. Mas o certo é que a obra está à vista. E, quer a oposição interna, quer a externa conseguem tocá-la.

Imagino que se irão debater temas como o custo do funcionamento de certos equipamentos, a manutenção de estruturas, o combate ao desemprego, o pagamento das dívidas. Mas estas medidas apenas serão aplicadas se forem discutidas e, posto isso, alguém arregaçar as mangas e aplicar e assumir um compromisso direto com a população.

Senhores políticos desta terra, fica o apelo. Neste momento, deixemo-nos de clubismos e politiquices. A mudança faz-se com um pacto de confiança que junte políticos e população, que anule as desigualdades, que continue a transformar e a desenvolver, num projeto comum que será sempre chamado de “Madeira”.

Nélio João Olim