Na sua recente visita à Madeira, para participar num evento promovido pela ACIF, a Ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas, referiu que, e passo a citar: “O mar já não é apenas potencial, é real.” Apresentou também os três pilares da estratégia nacional para o mar, sendo que um deles, assenta no desporto náutico. No mesmo evento, o Secretário Regional do Ambiente e Recursos Naturais, Manuel António Correia, reafirmou, tal como já o havia feito no ano transacto, por ocasião da Conferência Anual do Turismo subordinada ao tema Mar e organizada pela Delegação Regional da Ordem dos Economistas, o propósito de recuperar a onda de surf do Lugar de Baixo. Este projecto insere-se numa estratégia arrojada de candidatura da Região a Reserva Mundial de Surf. O surf à escala mundial tornou-se um desporto de referência. Milhões de pessoas, de todas as partes do mundo, seguem esta modalidade ou praticam-na com regularidade. O circuito mundial profissional, que tem uma etapa em Portugal, é um fenómeno de popularidade à escala global. As denominadas “surf trips”, explodiram nas últimas duas décadas, com os amantes do surf a procurarem novos spots ou a deslocarem-se a locais de referência, tal como Bali, Biarritz, California, Fiji, Jeffrey’s Bay, Havai, Lima, Maldivas, Peniche, Queensland, Samoa, Tahiti, etc, etc. Em todos estes locais, milhares de surfistas contribuíram para a afirmação desses destinos, muito para além da prática do surf. A Madeira não figura nesta lista. Mas devia e pode voltar a ser uma referência no contexto Europeu. Para tal, a recuperação da onda do Lugar de Baixo, a par de duas outras afectadas, a saber, Jardim do Mar e Ponta Delgada, é uma condição sine qua non. Nestes três locais, onde podíamos encontrar ondas de classe mundial, o substrato deste verdadeiro milagre da natureza, continua intacto: o fundo rochoso. Assim, é possível a recuperação destes míticos spots. Apesar da brutalidade que estas ondas por vezes assumem, trata-se um processo delicado e moroso. Sobre todos os pontos de vista. Afinal, aquilo que a natureza levou milhares de anos a construir, deve ser tratado como uma preciosidade!
João Rodrigues Velejador olímpico