Um dos grandes problemas de Abril é que continua a não se saber bem o que fazer com ele hoje.

Ora, a euforia, natural e desejável, de há 40 anos não se podia repetir ad-aeternum. Mas a conquista da liberdade, dos valores que lhes estão associados, não pode ser um dado adquirido que se mete na gaveta dos direitos e já está.

Não se pode fazer uma revolução armada todos os dias, mas se se exercer em pleno os nossos direitos e deveres de cidadania, estamos a fazer com que o 25 de Abril pule e avance. Votar é a primeira coisa desta lista. Participar, contestar, ouvir, não se demitir de ser cidadão.

O 25 de Abril é de todos, é uma conquista imensurável, não pode ser apenas uma efeméride. Não basta dizer: “Ai, o que o país precisava era de uma nova revolução”, porque a revolução deve ser um exercício diário de uma sociedade e um país melhores.

Também não basta discorrer azedumes nas redes sociais (sem lhes tirar a importância), nem assinar petições tão em voga nestes tempos. Às vezes, quase sempre, ainda é preciso dar o corpo as balas como naquele dia 25 de Abril de 1974. É preciso uma luta individual para que Abril não esmoreça. No trabalho, na família, nas diferentes organizações da sociedade.

Não basta o cravo na lapela da classe política nas cerimónias de comemoração da data. Isso é pouco, quase nada. Não chega dizer “são cravos, senhor, são cravos”; é preciso não deixar que estes murchem. Dá trabalho, pois dá. Imagine-se então o que foi há 40 anos.