Gilda Jardim A tese da equivalência, empréstimo/imposto, é uma tese contestada, mas a verdade é que, não há razão para desmentir que a divida é equivalente ao imposto. Poder-se-á dizer que a evolução das taxas de juro da divida pública poderá conduzir a que não se possa financiar um aumento excessivo da divida pública. Mas, o que acontece, é que este governo, está a pagar a divida soberana através de impostos e contraindo ainda mais divida, porque não há crescimento, e os agregados familiares ao assimilarem a divida pública aos impostos que pagam, percebem que ao nível dos efeitos macroeconómicos, o governo está a utilizar a equivalência (imposto/divida).
As famílias sentem cada vez mais o aperto e a redução nos seus rendimentos mensais, e tendem a poupar menos até ao limite, sem verem a poupança pública a não ser compensada pela poupança privada. Alguns famílias já nem poupam. Têm de roubar ou utilizar outras artimanhas, não para viver, mas para sobreviverem.
O que está a ser aplicado por este governo é um equivalente em termos fiscais, em que se cobram impostos para pagar empréstimos.
A equivalência pressupõe uma compensação entre o saldo financeiro privado e o saldo financeiro público. Ora, o que tem acontecido, é que, as compensações das descidas das poupanças públicas pelas subidas das poupanças privadas, aquelas têm sido mínimas, porque o Estado continua a ser um Estado gastador naquilo que não devia gastar.
Esta tese integra-se neste tipo de ideologia neoliberal (equivalente à dos clássicos) que está a ir longe de mais. O povo têm sido tolerante com este governo de Passos Coelho, mas a sua política está a passar dos limites, e os cidadãos estão a perder a paciência, e eu sou uma delas, desde 2008 que as famílias e as empresas estão a sofrer na pele esta austeridade e não vêm nada e novo.
Salazar equilibrou o OE em menos de um ano. É verdade que equilíbrio financeiro salazarista foi altamente penalizante para a classe trabalhadora, mas o regime teve instrumentos de manipulação da moeda que permitiram ao Estado apressar a recuperação.
Dizem que e desvalorização da moeda é um truque. E o que é a desvalorização interna, senão outro truque?.
O rigor orçamental não reduz a actividade económica se a economia for estimulada pela moeda e pela taxa de câmbio. Fora com o euro.
Existe o risco do endividamento cumulativo devido ao crescimento lento da economia, cujo peso da divida só pode ser reduzido por um crescimento mais rápido ou pela inflação controlada, que não agrada a quem governa. Por conseguinte, os Estados não têm outra opção senão disponibilizar saldos primários positivos que compensam o aumento dos encargos com juros da divida pública, o que significa que, para o governo da República é indiferente financiar despesas públicas recorrendo a imposto, a baixa de salários e pensões, ou recorrendo à divida. É e recorrência à tese do equivalente ricardiano. Pergunto: Vamos continuar a viver assim? Até quando?