Nós somos uma região que deu à Europa uma preponderância no mundo, basta mencionar os Descobrimentos como uma das maiores proezas do género humano e não ser demasiado humilde em colocar este arquipélago num lugar de destaque nesse empreendimento. Hoje a nossa relevância aparenta ser periférica, fruto de uma miríade de más e infundadas decisões que alimentaram um declínio evitável.
É possível alterar este panorama, a começar em centros de decisão tão cruciais como o Parlamento Europeu. Não nos esqueçamos que os destinos deste auspicioso projeto - uma europa unida - devem permanecer democráticos e plurais. Os ditamos financeiros não podem obscurecer toda uma vibrante esfera social e política que herdamos dos nossos antepassados. O papel de um político é essencialmente vocacionado para ir buscar o conhecimento sedimentado e a partir deste criar um rumo lúcido e consciente. A academia no verdadeiro sentido da palavra é um espaço de todos, é fonte de uma consciência política e social que se quer partilhada.
A perceção do nosso declínio fundamenta-se naquilo que os sentidos não permitem ludibriar, podia apontar os números do desemprego, do fechamento de empresas, da emigração forçada, porém o sentimento de desânimo e descrédito não pode fechar a porta à nossa concreta capacidade de construir um mundo melhor. A história revelou-nos isto sistematicamente. A crise que chegou a nós foi evitável e está nas nossas mãos a capacidade de a ultrapassar. A representação regional no plano Europeu é um primeiro passo para produzir uma mudança que se afigura por todos como necessária. Confio na candidata Liliana Rodrigues para produzir esta mudança.
António Ferreira Afonso