O pilar que está na base do Estado Democrático actual, é a noção de que o governo que se constitui, emerge da vontade do povo, manifestada através de eleições livres. Para o funcionamento equilibrado da Democracia, é necessária a fixação alguns princípios, os quais contribuem para o bom operar do sistema democrático, e que entre outros, referem-se a dimensões como, igualdade, liberdade e direitos políticos dos cidadãos. No que concerne aos direitos políticos ou de cidadania, eles devem ser, simultaneamente, um direito e uma obrigação (no mínimo de consciência), pois o seu não exercício, empobrece e coloca em risco o próprio sistema. Numa democracia, o cidadão, se esclarecido, tem o direito e a obrigação de participar activamente na vida politica do seu país, seja através do voto, seja através de referendos, seja através de iniciativas populares, e inclusivamente, envolver-se na verificação e fiscalização dos princípios que estão na base da Democracia, assim como se os mesmos, estão ou não a serem respeitados pelos eleitos. É de extrema importância para a preservação da democracia, a promoção e instalação por parte do Estado, de um sistema de ensino, que efectivamente assegure a educação para a cidadania, onde os direitos e obrigações dos cidadãos são objecto de reflexão. Sendo o sistema democrático um processo em contínua evolução, subsiste como tema de análise e discussão não só a questão de se saber se se adquirem direitos simplesmente por se ser um ser humano, ou se eles devem de ser obrigatoriamente exercidos. O Estado Democrático, fundamenta a sua existência nos cidadãos e estes, por via dum esclarecimento crescente, fomentado pelo estado, devem participar activamente na dialéctica democrática. Vejo a Democracia a Cidadania como as asas de um pássaro, as quais para cumprirem a sua função, voar, têm de estar em actividade e em concomitância.
Fernando Rodrigues Cooperante da “Espaço às Àrtes - Cultura Ponto Zero”