Da semana que passa ficam sob suspeita as divergências entre governos em torno da RTP-M. E por que será que após vários estudos e discussões os governantes da República e da Região têm visões diferentes sobre o futuro da televisão regional? Como ninguém se descose, seguem-se apenas 5 hipóteses:

a) Não falam a mesma linguagem, o que é mais do que provável, embora sejam do mesmo partido. Para uns, televisão é comunicação, serviço público e ligação ao mundo. Para outros é propaganda ao poder, tempo de antena e influência. Se dúvidas houvesse, quem é que prometeu mandar “tudo para o olho da rua”, mal tivesse o brinquedo nas mãos?

b) A noção de custo não é igual. Para uns, a hora é de contenção e de fazer mais com menos, melhor sem luxos. Para outros, importa gastar mais, sem fazer contas a recursos, a equipamentos e à tecnologia. Para uns, quem paga decide. Para outros, mandar é o verbo mesmo sem dinheiro para garantir emissões.

c) O drama das audiências. No continente, tudo é medido e ponderado. Na Madeira, como não há audimetria, há quem julgue que tudo pode ser permitido e emitido. O que alguns desconhecem é que tudo se sabe. Não admira que Lisboa queira determinar conteúdos, dando de barato à Região a gestão do centro de produção.

d) Uma questão de princípios. Os interesses colidem. Lisboa assume colocar a ilha no mapa, dando projecção nacional a méritos e talentos. A Madeira orgulhosa não alinha no centralismo preferindo ter poder para colocar a produção regional nos espaços nacionais. O problema são os meios e os fins.

e) Taxas problemáticas. A contribuição para o audiovisual é obrigatória por imposição do Estado. Deixaria de o ser se os privados passassem a ter mão nos destinos da RTP-M. Como o processo em curso é de regionalização e não de privatização, a República não cede à subconcessão engendrada pelo executivo madeirense, mesmo que aos cofres da televisão pública tenham chegado 12,1 milhões de euros que correspondem à recuperação do montante que estava em dívida pela Empresa de Electricidade. Organizem-se!