parece que ninguém está muito preocupado com o risco de insolvência A Europa está a sair da crise com um nível de dívida pública nunca antes visto. Esta é uma recuperação muito peculiar, pois para além dos elevadíssimos níveis de dívida, estamos a sair da crise muito lentamente. É a recuperação mais lenta desde a segunda guerra mundial. No entanto parece que ninguém está muito preocupado com o risco de insolvência ou com possíveis reestruturações de dívida, pois andam todos a contar com o “faremos tudo o que for preciso” do Banco Central Europeu. O cenário não é animador. Portugal e Espanha, para além dos duros ajustes que estão a fazer, continuam com um saldo primário muito longe do desejado. Itália, já atingiu um saldo primário capaz de estabilizar a sua dívida, mas irá ter muitas dificuldades em reduzir a divida através do crescimento. França tem a uma situação menos precária, mas também terá de fazer um grande esforço para não fazer subir o seu saldo primário como tem acontecido durante os últimos anos. Para dar um pouco de cor a este cenário tão negro, temos a Alemanha que conseguiu obter um superavit fiscal em 2012 e 2013, graças à avalanche que caiu sobre a Europa e que fez com que se conseguissem financiar a custo zero. Quanto a mim isto não retira mérito aos Alemães, porque para além desta grande benesse, têm feito muito bem os seus trabalhos de casa e têm mantido as suas contas públicas muito bem balanceadas. Desde a segunda guerra mundial os Alemães têm sido sempre capazes de sair muito beneficiados das situações mais adversas, e a atualidade parece não ser exceção. Os três partidos da atual coligação conseguiram manter a cabeça no lugar e estão a tomar medidas expansionárias que muito provavelmente não terão consequências negativas no equilíbrio das suas contas públicas. Para além dos elevadíssimos níveis de dívida de grande parte dos países europeus, vivemos um período em que a aposta dos investidores se centra na continuidade do processo de normalização económica dos países periféricos. A aposta parece certeira pois têm sido publicados indicadores melhores do que o esperado um pouco por todo o mundo e indicadores muito animadores nos países do sul da Europa. Mas o problema da dívida persiste, e parece não importar muito pela prometida almofada do “faremos tudo o que for preciso” do BCE. Na verdade, ultimamente o BCE não tem feito o que é preciso. Tem inclusivamente sido muito criticado pela sua falta de atuação. A Europa está com níveis de inflação muito baixos, que correm o risco de serem persistentes, e que estão inclusivamente a aumentar o risco de deflação. Estas taxas de inflação muito baixas aumentam a competitividade e ajuda as exportações, mas por outro lado aumenta a taxa de juro real, aumentam o valor real da dívida e diminuem o produto, o que dificulta enormemente a vida aos países que como Portugal e Espanha têm níveis de dívida muito elevados à partida. Mas para além de tudo isto a euforia continua. Vivemos numa espécie de onda de otimismo cujo principal efeito foi a redução significativa das taxas de juro exigidas pelos investidores aos países do sul da europa sem que os seus problemas de endividamento estejam sequer perto de serem resolvidos. Parece que estamos numa fase do ciclo de recessão em que atingimos uns níveis exagerados de confiança na recuperação económica que estão a provocar uma certa cegueira que nos impede de ver certos riscos. Luís Pedro Branco
parece que ninguém está muito preocupado com o risco de insolvência
A Europa está a sair da crise com um nível de dívida pública nunca antes visto. Esta é uma recuperação muito peculiar, pois para além dos elevadíssimos níveis de dívida, estamos a sair da crise muito lentamente. É a recuperação mais lenta desde a segunda guerra mundial. No entanto parece que ninguém está muito preocupado com o risco de insolvência ou com possíveis reestruturações de dívida, pois andam todos a contar com o “faremos tudo o que for preciso” do Banco Central Europeu. O cenário não é animador. Portugal e Espanha, para além dos duros ajustes que estão a fazer, continuam com um saldo primário muito longe do desejado. Itália, já atingiu um saldo primário capaz de estabilizar a sua dívida, mas irá ter muitas dificuldades em reduzir a divida através do crescimento. França tem a uma situação menos precária, mas também terá de fazer um grande esforço para não fazer subir o seu saldo primário como tem acontecido durante os últimos anos. Para dar um pouco de cor a este cenário tão negro, temos a Alemanha que conseguiu obter um superavit fiscal em 2012 e 2013, graças à avalanche que caiu sobre a Europa e que fez com que se conseguissem financiar a custo zero. Quanto a mim isto não retira mérito aos Alemães, porque para além desta grande benesse, têm feito muito bem os seus trabalhos de casa e têm mantido as suas contas públicas muito bem balanceadas. Desde a segunda guerra mundial os Alemães têm sido sempre capazes de sair muito beneficiados das situações mais adversas, e a atualidade parece não ser exceção. Os três partidos da atual coligação conseguiram manter a cabeça no lugar e estão a tomar medidas expansionárias que muito provavelmente não terão consequências negativas no equilíbrio das suas contas públicas. Para além dos elevadíssimos níveis de dívida de grande parte dos países europeus, vivemos um período em que a aposta dos investidores se centra na continuidade do processo de normalização económica dos países periféricos. A aposta parece certeira pois têm sido publicados indicadores melhores do que o esperado um pouco por todo o mundo e indicadores muito animadores nos países do sul da Europa. Mas o problema da dívida persiste, e parece não importar muito pela prometida almofada do “faremos tudo o que for preciso” do BCE. Na verdade, ultimamente o BCE não tem feito o que é preciso. Tem inclusivamente sido muito criticado pela sua falta de atuação. A Europa está com níveis de inflação muito baixos, que correm o risco de serem persistentes, e que estão inclusivamente a aumentar o risco de deflação. Estas taxas de inflação muito baixas aumentam a competitividade e ajuda as exportações, mas por outro lado aumenta a taxa de juro real, aumentam o valor real da dívida e diminuem o produto, o que dificulta enormemente a vida aos países que como Portugal e Espanha têm níveis de dívida muito elevados à partida. Mas para além de tudo isto a euforia continua. Vivemos numa espécie de onda de otimismo cujo principal efeito foi a redução significativa das taxas de juro exigidas pelos investidores aos países do sul da europa sem que os seus problemas de endividamento estejam sequer perto de serem resolvidos. Parece que estamos numa fase do ciclo de recessão em que atingimos uns níveis exagerados de confiança na recuperação económica que estão a provocar uma certa cegueira que nos impede de ver certos riscos.
Luís Pedro Branco