Juvenal da Silva Caldeira Quanto mais escassos são os recursos, mais se espera uma boa gestão dos mesmos. Sabemos que não haverá pão para tanta boca faminta. Todos de uma forma ou de outra esperam o seu quinhão, ou melhor o melhor quinhão. Passou fase do esbanjamento desmedido, penso eu que muitas vezes sem real cálculo do custo/ benefício. Habitua-mo-nos mal, e os vários poderes governativos também. Agora que a torneira apenas goteja, difícil, é saciar a sede dos sedentos e pior dos falsos sedentos, os que conseguem fingir uma desidratação quase extrema.

Os Serviços de apoio social, não terão mãos a medir na recepção de pedidos de apoios. Com a agravante de haver muito menos para distribuir e muitos mais a precisar. E quase de certeza que aparecerão aqueles que sabem chorar a dor que não sentem.E muitos calarão os gemidos das dores dilacerantes. Discernir não é fácil. E com o desmotivação de toda a função publica, aliada à falta de meios.... Decerto aparecerão uns chicos-espertos que já se aperceberam que quem nada tem o Estado dá tudo.

Julgo também que o poder autárquico também não ficará imune a essa avalanche de vários pedidos, sejam eles da sua alçada ou não. Quando o cerco aperta, perde-se a vergonha de pedir, pior ainda achamos-mo-nos direito de exigir o que é possível e o que não é. Pediremos a recuperação daquela levada que já ninguem usa, a pavimentação da vereda que só um usa, mas que faz crer que é usada por muitos. Pediremos aquela estrada para agricultura ainda que os terrenos estejam cobertos de silvas, afinal amora silvestre tambem é fruta. Pediremos eventos para impulsionar o comércio, e criticaremos outros....

Resta-me homenagear as muitas Marias, que ao longo dos tempos souberam governar com a dispensa vazia.Aquelas que em tempos de amargura profundamente sentida, não baixaram os braços. Reinventaram receitas culinárias,e nunca deixaram a sopeira totalmente vazia. Pois fazer muito com muito, não é mérito nenhum. Mas fazer algo com muito pouco, não é ilusionismo. É simplesmente saber bem governar.