Preocupante não é o que se sabe. Preocupante é o que não se sabe, tudo o que se esconde no labiríntico poder. Preocupante não é apenas a dívida. Preocupante é a engrenagem e conluios que se escondem por detrás de qualquer dívida que se tornou impagável. Preocupante não é apenas um governo esconder mil milhões de facturas. Preocupante é a Justiça funcionar muito devagarinho. Preocupante não é o que dizem em cima do palco. Preocupante é a baixa capacidade de interpretação e de cruzamento dos dados sobre o que dizem. Preocupante não é apenas o “roubo” através da dupla austeridade. Preocupante é o povo docemente aceitá-lo. Preocupante não é os políticos quererem eternizar-se no poder. Preocupante é permitir que se instalem e façam do exercício da política uma profissão e negócio. Preocupante não é apenas o congelamento das carreiras profissionais. Preocupante é vê-los assinarem, descaradamente, as suas promoções. Preocupante não é apenas o estado dos sistemas educativo e de saúde públicos. Preocupante é assistir, impavidamente, ao abandono e insucesso escolar, ao atraso de 16.700 cirurgias e à subtil transferência de responsabilidades constitucionais para o sector privado. Preocupante não é apenas a loucura inauguracionista. Preocupante é a falta de respeito pelos instrumentos de planeamento territorial onde nem as reservas naturais escapam. Preocupante não é vivermos no meio do Atlântico. Preocupante é a existência de infraestruturas desajustadas da necessidade, em degradação e tendencial abandono. Preocupante não é sermos insulanos. Preocupante é termos os transportes marítimos monopolizados na operação portuária e uma imagem de cartel entre operadores. Preocupante não é a queda pontual dos indicadores de turismo. Preocupante é a crise estrutural, por ausência de estratégia, desde a inauguração do novo aeroporto. Preocupante não é, por exemplo, uma baixa pontual na produção de banana. Preocupante é já termos produzido 43.250 toneladas e, agora, andarem satisfeitos com 15.403 toneladas. Preocupante não é apenas a interpretação que fazem da democracia. Preocupante é a fraude política que é a Assembleia Legislativa, o Jornal da Madeira, a castração do pensamento e o sentimento de medo criado. E perante isto, querem dar música celestial, com uma mancheia de candidatos a quererem passar uma esponja sobre o passado. Só que a esponja está sujíssima e, quanto mais esfregam o quadro das memórias, mais borrada aparece. Merecem uma longa cura de oposição, para que possam “expiar os pecados” políticos que conduziram a uma dívida superior a seis mil milhões, desemprego e pobreza.

André Escórcio Professor