Numa época em que nem mesmo os códigos gramaticais e sintáticos de comunicação verbal formalizados no novo acordo ortográfico são aceites pacificamente e em que existe um cepticismo crescente sobre a possibilidade de descarregar a semântica da comunicação humana numa estrutura global e abrangente, qualquer tentativa de sistematização da sua pragmática deve parecer uma prova de ignorância ou de presunção. Se, no actual estado de conhecimento não existe sequer uma explicação adequada para a aquisição da linguagem natural, ainda mais remota deve ser a esperança de expôr as relações formais entre a comunicação e o comportamento. Por outro lado, é óbvio que a comunicação é uma condição sine qua non da vida humana e da ordem social. É igualmente óbvio que o ser humano está envolto num processo de aquisição de regras de comunicação extremamente complexas desde o inicio da sua existência, apenas com a noção mínima daquilo em que consiste esse conjunto de regras, essa soma da comunicação humana, pois esta é ainda uma ciência na sua infância. Mas há sempre momentos práticos e relacionais que simplificam o devir social, personalizados por exemplo, nesta pequena história contada por uma empresária, durante uma palestra sobre a simplicidade no mundo do trabalho. “SER FELIZ OU TER RAZÃO”: Oito da noite numa rua movimentada de uma qualquer grande cidade. O casal está atrasado para um jantar em casa de uns amigos. A morada é nova, assim como o caminho que a esposa consultou no mapa antes de sair. Ele conduz o carro. Ela orienta-o dizendo para que vire na próxima rua à esquerda. Ele tem a certeza de que é à direita e discutem. Percebendo que além de atrasados poderão ficar mais mal-humorados ela deixa-o decidir. Ele vira à direita e percebe então que estava errado admitindo que insistiu no caminho errado, enquanto volta para trás. Ela sorri e diz que não há nenhum problema se chegarem alguns minutos atrasados. Mas ele ainda quer saber: - Se tinhas tanta certeza de que eu estava a ir pelo caminho errado, devias ter insistido um pouco mais... E ela diz: - Entre ter razão e ser feliz,eu prefiro ser feliz. Estávamos à beira de uma discussão e, se eu insistisse tínhamos estragado a noite! MORAL DA HISTÓRIA: A inteligência emocional e a perspicácia revelada, ilustra a energia que gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independentemente, de tê-la ou não. Aconselho a que se perguntem com mais frequência, seja com quem for, onde quer que seja e em que contexto for: “Quero ser feliz ou ter razão?” Outro pensamento parecido, diz o seguinte: “Nunca se justifique. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam.” E já agora pratiquem isto para ver se o mundo melhora mais um pouco... Até breve.

João M.M. Castro Psicólogo Clínico