O que é que um guru da idade informática tem a ver com um rei de Inglaterra do século XV? Steve Jobs e Henrique V, que quase que também se tornou o rei de França, não são dois nomes que de imediato possamos associar, mas o compositor e autor alemão Roland Auzet, concebeu uma “ópera multimédia” dedicada à aventura digital no século XX, e vagamente baseada nas vidas do fundador da Apple e do herói do drama homónimo de Shakespeare para contrapor as vidas, destinos e maneiras de ser e de pensar destes dois indivíduos que, indubitavelmente, marcaram as suas respectivas épocas. A ópera, intitulada “Steve Five (King Different)” acabou de ser estreada em Lyon, França, onde esteve no palco entre 14 e 18 de março.

O denominador comum encontrado por Auzet, para ligar os dois, foi a sua atitude em que a realidade é confrontada através da invenção. O Vale do Silício transforma-se assim num campo de batalha figurativo e não menos lamacento que o de Agincourt, e serve de palco para a luta do monarca virtual, que, ainda que cheio de dúvidas, trava a batalha ao lado de seus homens e, tal e qual Henrique V, demonstrando a sua invenção, dizima os seus inimigos.

Convivem nesta ilustração da eternidade da “Arte da guerra”, versos de Shakespeare recitados, música clássica e rap, canto e fala, o trivial e o lírico; a tecnologia revela-se ser a poesia e a poesia renasce como tecnologia.

A história, sim, essa repete-se, há apenas quem aprende e quem não quer saber ou não é capaz de aprender. Mas os paralelismos e “coincidências” continuam a surgir, aqui e pelo mundo fora, e seriamos todos melhores seres humanos se conseguíssemos aprender da história, não repetir os erros comprovados e utilizar as experiências dos nossos antecessores para construirmos um futuro melhor. Não fossem as fraquezas humanas... P.S. Curiosamente, não é pela primeira vez que a vida do fundador da Maçã serve de inspiração para uma obra operática: apenas três meses atrás, estreou em Filadélfia o musical “Nerds” (não carece de tradução, pois já consta do dicionário Priberam!) que conta a história dos inícios de Jobs e Bill Gates.

Robert Andres