Os cidadãos deixaram-se cair num estilo de vida excessivamente acelerado, onde predomina o consumismo, os excessos, os paradoxos, a falta de diálogo e as incertezas. Estes homens e estas mulheres, uns para sustentar a família, outros para assegurar o estatuto social, correm em todas as direcções à procura de um futuro sem destino, desligados dos momentos do presente que criam os laços entre as gentes. Como consequência, a organização familiar desestruturou-se. Instalou-se, na sociedade, a era da falta de tempo das famílias e as crianças, porque, na maioria dos casos, ficam sozinhas e perdem o hábito dos deveres, o alento das palavras e a segurança da companhia da mãe, do pai e dos avós, é na escola que encontram o porto de abrigo. A escola não se limita a trabalhar para o ensino e as aprendizagens, exige-se que se responsabilize, como escreve o professor Joaquim Azevedo, por todas as “missões sociais e fazendo todo o tipo de milagres travestindo-a de «buraco branco» das sociedades atuais”. A realidade é que demasiadas famílias se demitem do seu papel de educadoras; muitos políticos passam uma imagem da falta de verdade; muita comunicação social divulga, todos os dias, exemplos de corrupção, crimes financeiros e violência; os jovens aceitam os crimes de bullying nas praxes universitárias; muitos dirigentes de instituições públicas e privadas demonstram uma ganância desmedida e praticam o esbanjamento dos dinheiros públicos sem consequências, em suma, enquanto a sociedade promove tudo isto, é a escola que resiste a esta onda cultural que reina lá fora. A par da gestão das profundas desigualdades e da heterogeneidade cultural que chegam todas os dias a cada uma das salas de aula, os professores procuram as melhores estratégias para incutir, nos seus alunos, não só o gosto pelo conhecimento e o rigor nas atitudes, como também, formas de combater a violência, de promover a disciplina, a educação, o respeito pelos outros e a liberdade.
Rui Caetano Professor