Da semana que passa fica sob suspeita o que poderá estar na origem dos sucessivos e assumidos cansaços de Jardim.

O tédio. Jardim cansou-se de nada fazer de útil. Sem cheques para assinar, nem obras para inaugurar, passou a olhar mais para o espelho e a dedicar-se aos escritos, nem sempre com assinatura própria, onde, à vez, ora recorda o que fez com os milhões vindos da Europa e da República, ora destila ódio. O tédio não mata, mas mói.

Os arquivos. Estão repletos de referências aos cansaços presidenciais. Não é de agora que o líder crama para que dele os madeirenses tenham pena. A vitimização sempre foi arma, actualmente encravada. Das muitas passagens fastidiosas, quem não se lembra da sua sugestão dirigida aos que denotavam cansaço para que se afastassem e não atrapalhassem quem quer trabalhar?! Para quem disse a 9 de Outubro de 2009, na Tabua, quase que dispensando o discurso na penúltima inauguração antes das eleições, “tenho falado demais”, a repetição exaustiva de que se vai embora, que agora é que é e que este é o último mandato é eloquente. Só que a insistência na lógica que “quem desdenha quer comprar”, e que remonta aos anos 80, já cansa.

Os delfins sem medo. Devem ser uns cinco ou seis que se disponibilizam para tomar conta de um partido em estado de sítio e de recolocar a Madeira no mapa. Embora tente rasteirá-los mais uma vez, perdeu o controle sobre aqueles que sempre teve como reféns. Embora procure nas inevitáveis divisões internas o argumento para voltar a ser o que sempre foi não conseguiu o que queria, uma vaga de fundo que implorasse pela sua recandidatura. Embora insista em dizer que se vai embora alimenta o sonho de nunca deixar de ser Presidente, nem que seja da FAMA. Uma teimosia que cansa e não é pouco.

As viagens. Já foram mais, mas continuam a ser muitas. Ultimamente tem sido uma por mês, a conselho médico. Ma podiam ser menos. Modere-se sobretudo em deslocações longas e sem retorno. Já deve ter ouvido falar em escapadinhas cá dentro? Aproveite e descanse. Sempre nos poupa uns trocos.

O DIÁRIO. Em 36 anos de Governo elegeu este jornal como inimigo público e alvo a abater. Sem sucesso. Numa primeira fase, tentou usá-lo para testar opções governativas. Numa segunda e terminal, tudo fez para acabar de vez com o pluralismo informativo: para além dos 5 milhões de euros por ano destinados a garantir que o JM exista e seja oferecido, proibiu dirigentes do PSD de escreverem no DIÁRIO, fez ameaças de expropriação, cortou assinaturas, chantageou empresários que investissem em publicidade e foi pródigo em ofensas públicas a jornalistas. Fez estragos com a concorrência desleal, mas nem com bombas de fumo nos calou. A voz livre e incómoda da alegada “imprensa hostil” deve cansar.