1- Alberto João Jardim diz que está farto do PSD-M e tem todo o direito de o afirmar. O partido também já deve estar farto dele, só não tem coragem para o dizer. Os madeirenses também já estão fartos e já o disseram, em Setembro do ano passado. 2 - O que aconteceu na sexta-feira, na Assembleia da República, onde a lei que iria legalizar a co-adopção foi rejeitada pelos partidos de direita - houve honrosas e corajosas excepções de deputados -, foi triste. Uma vergonha para um Paí­s que se orgulhava de estar na vanguarda da decência e dos direitos humanos, desde que aboliu a pena de morte e a escravatura, ainda a meio do século XIX, ou que fez uma revolução sem sangue, corajosa e talvez a mais romântica de que há memória. Os deputados da direita envergonharam o País. Envergonharam-me! Esta direita mesquinha, bafienta e sem alma não olha ao sofrimento que causa, não se interessa pelas famílias que estão a prejudicar. É tudo em função do voto de um eleitorado que, pensam eles, é conservador e preconceituoso. Maior insulto não poderiam fazer aos que os apoiam e colocaram no parlamento. A co-adopção iria, apenas, permitir aos dois membros de um casal ter tutela paternal sobre os filhos, adoptados ou biológicos, de um deles. Para evitar situações desumanas de crianças que, por morte do progenitor biológico, podem acabar em instituições, porque o outro, a quem sempre chamaram pai ou mãe, não pode ficar com eles. Foi isto que cento e tal deputados decidiram. Sem qualquer respeito pelo sofrimento que causam. Votar é uma questão de consciência. Em consciência, o PSD e o CDS perderam o meu voto. Seja para o que for, mesmo que os poucos que corajosamente enfrentaram as máquinas desumanas dos partidos me mereçam todo o respeito. (Uma parte deste texto já foi publicada numa rede social, mas achei importante reproduzi-la neste espaço).