O presidente da minha geração está cansado. Não da minha geração, diz ele, mas dos seus apoiantes, dos que o ajudaram a fazer do cargo de presidente uma profissão para a vida. Numa declaração que terá tanto de sinceridade como de ingratidão, o velho líder assume-se cansado do PSD-M. É justo admitir a verdade em que se baseia esse desabafo. Afinal, sempre foram 40 anos a mandar em quase tudo e em quase todos e agora o ‘contrato’ aproxima-se do fim. Está quase. Mas além do cansaço natural, da evidente falta de pachorra, do completo desinteresse pela governação, da falta de ânimo, o que parece cansar mesmo o presidente é a total ausência de interesse dos seus em que ele continue. A exaustão é recíproca e desta vez não se nota qualquer esboço de onda de fundo, daquelas que começavam anos antes do fim de prazos que sempre ignorou, com pedidos tão lamechas quanto interesseiros para o único importante continuar. Agora acabou. Não há cá disso. E até acredito que são muito mais os que o querem ver fora da liderança, do que aqueles que aceitam o sacrifício de dizer que o querem no mesmo lugar de sempre. No fundo, o cansaço de Jardim é feito de madeirenses que se cansaram dele. Simples. Isso não significa necessariamente ausência de reconhecimento pelo que fez quando pegou no leme. Como em quase tudo na vida, haverá sempre quem goste. Mas, sobretudo para os seus apoiantes, aqueles que agora despreza, este enfado significa apenas que acabou o jardinismo. Não há volta a dar. Cansaram-se. E o líder que não percebe isso, revela um falhanço inesperado. Ao fim de anos e anos a dar tácticas, Jardim parece agora um aprendiz de política que recusa deixa a cadeira mesmo depois de ter perdido o exame. Um erro primário que ajuda a fechar o ciclo. A prestação é tão fraca que o expõe à humilhação. É tão deprimente este arrastar de regime, que até o líder nacional do PSD e primeiro-ministro atira uma inesperada caridadezinha, assim a modos de quem está preocupado com uma saída digna para o dirigente regional cuja governação, recorde-se, teve a coragem de recusar caucionar. Mesmo assim, agora como prova de boa vontade, como demonstração daquele tipo de carinho do adolescente para o tio-avô reformado que há muito não via e não quer voltar a ver tão cedo, Passos Coelho acenou com o Parlamento Europeu e a ideia de uma saída digna. Como se fosse possível! Passos deve saber bem que, neste processo de mudança no PSD-Madeira, não só não há saída, como muito menos dignidade. Quem aceita arrastar as botas durante tanto tempo, com claros prejuízos para a governação e os governados, deveria saber que perdeu pelo caminho a possibilidade de uma saída digna. Isso ficou lá para trás. Ficou em 2000, em 2004 e, na pior das hipóteses, em 2007. Agora, não. Agora, é tarde. O presidente está cansado do PSD, o PSD está cansado do presidente e a Madeira também. Apesar de tudo, tem bom remédio o presidente cansado: Fique descansado. Descanse. Descanse-nos.