É hora de abrir regos.

Como é fácil as modas virarem tradição, há um sem número de realidades que bem poderiam começar a ser trabalhadas de modo a dignificarem a ‘festa’. Uma 'Madeira Natal de sonho' é possível. Bastava que:

. Não fossemos obrigados a apanhar com quatro dias de ‘debate’ enfadonho e deprimente em torno de uma espécie de Orçamento que mais não é do que um mísero tempo de antena repleto de alucinações. Noutras paragens, este tipo de expediente é arrumado em Novembro porque Natal é tempo de paz e de circo genuíno e não de ofensas e reles palhaçadas.

. Os parques de diversões estivessem devidamente licenciados e com as condições necessárias para garantir segurança e higiene a quem paga para utilizá-los.

. Os discursos hipócritas fossem dispensados dos almoços e jantares de confraternização e que as prendas fossem ajustadas às posses de quem dá e aos méritos de quem recebe.

. As adjudicações por simpatia dessem lugar a concursos de ideias, seja para as iluminações, como para o fogo, as feiras e outras empreitadas.

. As missas do parto valessem pelo que simbolizam, fossem a horas decentes ou então respeitassem a lei do ruído.

. Quem se encharca em poncha, vinho seco e afins, mesmo presumindo não ir dentro por mais patifaria que faça, percebesse que conduzir em manifesto estado de embriaguez é tão perigoso como a roleta russa e de desfecho imprevisível.

. As ruas estivessem livres de toda a propaganda partidária e de venda ambulante abusiva, em clara concorrência desleal com quem paga impostos e passa facturas.

. As campanhas de solidariedade ou de recolha de alimentos não abusassem da generosidade de quem vai às compras com o dinheiro contado. Desde Outubro tem havido um fartote de peditórios, quase tantos como as inaugurações de estátuas.

. Houvesse coerência. Muitos dos que contestam as inovações públicas também inventam em casa. É ou não verdade que têm árvores de Natal, de plástico, decoradas com luzes da mesma cor, que abrasam fogo de forma insensata no qual espatifam dezenas de euros e que decoram as ruas de lixo naqueles dias em que não há recolha?