Temos vivido tempos extremamente difíceis que têm aprofundado as desigualdades entre os ricos e os pobres e entre as nações mais fortes economicamente e as menos desenvolvidas fruto da ganância desmedida do homem que desumaniza a sociedade contemporânea.

Os factos recentes que temos vindo a assistir em Portugal e por esse mundo fora, obriga-nos a uma reflexão profunda sobre o caminho a seguir e as mudanças que devem ser operadas para que haja mais riqueza social e que nos auguro um futuro mais risonho.

O Papa Francisco tem vindo a abanar a Igreja Católica através de mensagens e acções repletas de profundo humanismo.

A sua intervenção recente no Parlamento Europeu, centrada na dignidade da pessoa, foi um momento de relevada importância pela abordagem dos temas tão actuais e fulcrais para o futuro do mundo e da Europa, em particular.

Neste momento, em que os corações das pessoas se tornam mais generosos pela quadra que se atravessa, é talvez a ocasião propícia para uma interiorização maior sobre os factos que ocorrem.

Por isso, ouso transcrever brevíssimos trechos, do discurso do Papa, no citado Parlamento, que comungo e que são importantes para o futuro da nossa comunidade: “Hoje a promoção dos direitos humanos ocupa um papel central no empenho da União Europeia que visa promover a dignidade da pessoa, tanto no âmbito interno como na relação com outros países. Trata-se de um compromisso importante e admirável, porque persistem ainda muitas situações onde os seres humanos são tratados como objectos, dos quais se pode programar a concepção, a configuração e a utilidade, podendo depois ser jogados para fora quando já não servem porque se tornaram frágeis, doentes ou velhos.”

“Que dignidade poderá ter um homem ou uma mulher tornados objectos de todo o género de discriminação?”

“Que dignidade poderá encontrar uma pessoa que não tem o alimento ou o mínimo essencial para viver, pior ainda, o trabalho que o unge de dignidade?”

“Promover a dignidade da pessoa significa reconhecer que ela possui direitos inalienáveis, de que não pode ser privada por arbítrio de ninguém e muito menos, para benefícios de interesses económicos.”

Deixo-vos esta pequena reflexão, desejando a todos um bom natal e que 2015 seja o caminho para um futuro melhor.

José Manuel Oliveira