Entre os dias 19 a 23 de Novembro, os madeirenses e os turistas puderam assistir a um Bailado, em estreia mundial, todo ele criado, produzido e interpretado por artistas madeirenses, algo de inédito nesta Região Autónoma. Criado com o objetivo de celebrar 30 anos de atividades extraescolares, desenvolvidas pela Direção de Serviços de Educação Artística e Multimédia (ex: Gabinete Coordenador de Educação Artística), da Secretaria Regional da Educação, foi, sem dúvida, um propósito conseguido e que veio provar a importância destas atividades – numa ótica de ‘ocupação de tempos livres’ -, na formação de crianças e jovens. Montar um espetáculo daquela grandiosidade só mesmo para uma organização que consegue, por um lado motivar os seus colaborares (docentes e não docentes) e alunos, e por outro manter uma visão estratégica sempre baseada na criatividade, na inovação e na qualidade, implicando uma planificação muito atempada e com um cronograma e procedimentos bem definidos, seguidos por todos os intervenientes, neste particular pelos 157 artistas, e todo o pessoal de suporte (produção, administrativo e apoio), num total de mais de 200 pessoas. A decisão de se criar um Bailado contemporâneo foi tomada em setembro de 2013 - um ano antes da sua estreia -, à qual se seguiu a criação de um guião por Carolina Basílio; a criação da música para a orquestra e coro, por João Caldeira, (que assumiu também a direção de orquestra), com a duração de 12 meses; a criação das coreografias, por Juliana Andrade (que assumiu simultaneamente a direção artística e o papel principal de bailarina); a criação da encenação, por Miguel Vieira, e, finalmente, toda a produção de suporte. Iniciaram-se os ensaios em setembro de 2014 e em apenas dois meses e meio, contando com artistas ‘amadores’, no verdadeiro sentido da palavra (alunos e seus professores), fizeram a montagem de todo o espetáculo. Os sete espetáculos estiveram quase sempre esgotados com um total de 2.180 espetadores, superando as espetativas da organização. Com esta adesão, a organização poderá pensar noutros projetos desta natureza, pois, sem o apoio inequívoco da população tudo seria mais difícil. De referir que esta organização, nos últimos dez anos, já apresentou sete obras em estreia mundial na Madeira, a recordar: 2005 - “Quem tramou a flauta mágica?”, uma adaptação da ópera “A flauta mágica” de Mozart; no mesmo ano o musical de Jorge Salgueiro com libreto de Ester Vieira “A voz na seda das palavras”; 2006 - “Carmen em ritmo de hip-hop”, nova adaptação de uma ópera famosa “Carmen de Bizet”; 2007 - “Rigoletto e o portal de cristal”, adaptação da ópera “Rigoletto” de Verdi; 2008 – Ópera romântica “Orquídea branca”, um original de Jorge Salgueiro com libreto de João Aguiar, com repetição em 2009; 2010 – Ópera contemporânea “O salto”, novamente um original de Jorge Salgueiro com libreto de Miguel Esteves Cardoso e, finalmente, em 2014 este Bailado “Flor, Bela e Louca”. Da nossa parte estaremos, naturalmente, expectantes sobre o próximo projeto, inédito, a apresentar aos madeirenses, pois constitui sempre uma grande mais-valia para a educação artístico-cultural dos nossos conterrâneos.
Carlos Gonçalves, Investigador integrado do CIPEM (INET-md)