Vivemos um tempo de desânimo, desmotivação e em muitos casos de revolta No momento em que somos confrontados diariamente com situações que ferem a dignidade e os direitos individuais, importa recordar que no próximo dia 10 de dezembro assinala-se mais um aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, criada em 1948 pela organização das Nações Unidas, três anos após o fim da segunda guerra mundial. Este dia procura assinalar o acontecimento e evitar o sofrimento, angústia e o horror que a humanidade viveu durante a segunda guerra mundial de modo a nunca mais se repetir. Nos escombros da guerra, esta data permite conceptualizar, reconstruir e consolidar uma nova realidade sobre o ser humano, colocando a sua individualidade no centro de toda a atividade, valorizando e enobrecendo o respeito que todo o ser humano merece independentemente da origem, da cor, da raça, da religião, da atividade que exerce, da sua opção política ou sexual. Esta visão abrangente do ser humano possibilitou que ao longo das últimas seis décadas se construíssem ferramentas que estabeleceram o mote para alcançar melhores condições de vida e a conquista de direitos, sociais, económicas e laborais a nível individual e coletivo. Estas conquistas permitiram significativos ganhos em muitas áreas na saúde, na educação e segurança social que pareciam definitivamente consolidados. Passados sessenta e seis anos, muitos dos horrores e sofrimento que pareciam definitivamente afastados regressam e deixam as suas marcas e traumas no trajeto histórico do homem. A atual situação económica e social da Europa tem originado clivagens cada vez mais acentuadas entre países e regiões, que continuam a passar ao lado dos responsáveis Europeus, que perante os últimos acontecimentos tentam manter uma aparente normalidade. Enquanto não se retomar e fortalecer os desígnios que fundaram a União Europeia, não acabará o diretório unilateral, em que um conjunto de países mais desenvolvidos impõem a outros, programas e politicas descentralizadas do bem-estar individual e social dos seus povos. Por este caminho a Europa continuará a fomentar o aparecimento de movimentos radicais e comportamentos extremistas que podem colocar em risco a liberdade, a paz social e a solidariedade entre os países. O que a sucessiva política de austeridade tem demonstrado é que inevitavelmente os seus efeitos conduzem ao aumento do desemprego por via do encerramento das empresas e de serviços públicos. Acresce ainda o aumento da pobreza, a diminuição dos direitos laborais, o aumento dos impostos, aumentando significativamente as desigualdades sociais. Vivemos um tempo de desânimo, desmotivação e em muitos casos de revolta fruto das medidas adoptadas que originam impactos negativos na educação, na saúde e na solidariedade social, transversal a várias gerações. Infelizmente quem nos dirige continua a apostar na política da austeridade e do brutal aumento dos impostos como é visível na proposta do orçamento de estado para o próximo ano, que mantêm o desinvestimento em áreas com a Educação, a Saúde e a Segurança Social, ou seja, nas três principais Funções Sociais do Estado. Áreas essenciais ao aprofundamento dos Direitos Humanos. Juan Carvalho

Vivemos um tempo de desânimo, desmotivação e em muitos casos de revolta

No momento em que somos confrontados diariamente com situações que ferem a dignidade e os direitos individuais, importa recordar que no próximo dia 10 de dezembro assinala-se mais um aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, criada em 1948 pela organização das Nações Unidas, três anos após o fim da segunda guerra mundial. Este dia procura assinalar o acontecimento e evitar o sofrimento, angústia e o horror que a humanidade viveu durante a segunda guerra mundial de modo a nunca mais se repetir. Nos escombros da guerra, esta data permite conceptualizar, reconstruir e consolidar uma nova realidade sobre o ser humano, colocando a sua individualidade no centro de toda a atividade, valorizando e enobrecendo o respeito que todo o ser humano merece independentemente da origem, da cor, da raça, da religião, da atividade que exerce, da sua opção política ou sexual. Esta visão abrangente do ser humano possibilitou que ao longo das últimas seis décadas se construíssem ferramentas que estabeleceram o mote para alcançar melhores condições de vida e a conquista de direitos, sociais, económicas e laborais a nível individual e coletivo. Estas conquistas permitiram significativos ganhos em muitas áreas na saúde, na educação e segurança social que pareciam definitivamente consolidados. Passados sessenta e seis anos, muitos dos horrores e sofrimento que pareciam definitivamente afastados regressam e deixam as suas marcas e traumas no trajeto histórico do homem. A atual situação económica e social da Europa tem originado clivagens cada vez mais acentuadas entre países e regiões, que continuam a passar ao lado dos responsáveis Europeus, que perante os últimos acontecimentos tentam manter uma aparente normalidade. Enquanto não se retomar e fortalecer os desígnios que fundaram a União Europeia, não acabará o diretório unilateral, em que um conjunto de países mais desenvolvidos impõem a outros, programas e politicas descentralizadas do bem-estar individual e social dos seus povos. Por este caminho a Europa continuará a fomentar o aparecimento de movimentos radicais e comportamentos extremistas que podem colocar em risco a liberdade, a paz social e a solidariedade entre os países. O que a sucessiva política de austeridade tem demonstrado é que inevitavelmente os seus efeitos conduzem ao aumento do desemprego por via do encerramento das empresas e de serviços públicos. Acresce ainda o aumento da pobreza, a diminuição dos direitos laborais, o aumento dos impostos, aumentando significativamente as desigualdades sociais. Vivemos um tempo de desânimo, desmotivação e em muitos casos de revolta fruto das medidas adoptadas que originam impactos negativos na educação, na saúde e na solidariedade social, transversal a várias gerações. Infelizmente quem nos dirige continua a apostar na política da austeridade e do brutal aumento dos impostos como é visível na proposta do orçamento de estado para o próximo ano, que mantêm o desinvestimento em áreas com a Educação, a Saúde e a Segurança Social, ou seja, nas três principais Funções Sociais do Estado. Áreas essenciais ao aprofundamento dos Direitos Humanos.

Juan Carvalho