
Carne de vinha d’alhos, noite do Mercado e… sumaúma. Estas devem ser as respostas imediatas quando algum madeirense é questionado sobre o que lembra ao Natal. Mesmo que muita gente não saiba bem o que é a sumaúma, a árvore que produz uma coisa parecida com algodão, provoca alergias a muita gente e tem umas flores pequeninas, branco e rosa, entrou para as conversas quotidianas. Nem sempre acompanhada dos melhores adjectivos, é verdade, mas conseguiu bater o circo do PSD-M, as discussões sobre a prisão de José Sócrates ou a última estupidez da casa dos segredos. Depois de muitos protestos pela ausência de cor nas iluminações de Natal do Funchal, os madeirenses ficaram a saber que a culpa pelo atraso na instalação das lâmpadas e motivos mais alegres era repartida entre a sumaúma - quem mandou ter flores de uma cor complicada? – e dos transportes que, por coincidência, partilham a tutela da mesma secretaria que adjudicou o projecto das luzes da festa. Depois de uma semana em que muitos pediram o regresso das iluminações antigas – as caravelas, os bonecos de neve e até aquelas árvores de Natal gigantes – parece que é amanhã que tudo vai estar pronto. Dizem que com mais cor, pelo menos o tal rosa raro e mais motivos da época. É esperar para ver. É verdade que sempre que há algo novo nas decorações públicas as reacções nunca são as melhores – os motivos que agora são recordados com saudade também foram contestados -, mas mexer com o Natal, a maior tradição desta terra, é um risco de dimensões superiores à da maior sumaúma. Nenhum currículo, por mais rico que seja, pode calar a crítica, sobretudo quando vem de um povo que viveu mais um ano de grande aperto e merece que não lhe estraguem as poucas alegrias que ainda sobrevivem.