Miguel Fonseca Embora desde Benjamin Disraeli as candidaturas ao parlamento se tenham, na prática, em candidaturas a primeiro-ministro, a verdade é que, no País e na Região, não existe eleição para esse cargo, nem sequer no parlamento, como acontece em Espanha ou na Grécia, após o ato eleitoral. Neste momento, na Madeira, já há 8 candidatos a candidatos ao cargo, incluindo os atuais candidatos do PSD e o líderes do PS e do CDS. Ora, eu acho que há três razões para não deixarem assim as coisa definitivamente fechadas.
Primeiro, o regime autonómico nem sequer é semipresidencialista, como acontece a nível nacional, mas um regime parlamentar puro. Está-se, assim, a desvalorizar o órgão de governo principal do regime autonómico.
Segundo, o atual momento político exige mais de quem quer servir a causa pública. Vamos a supor que nenhum destes candidatos, isto é, o seu partido, tem uma maioria, já não digo absoluta, mas clara, para formar governo? Que legitimidade terão para liderar um governo, nessas circunstâncias? A verdade é que, ao introduzirem, por via eleitoral, uma lógica presidencialista no sistema, devem assumir as consequências políticas dessa atitude e só aceitar ser presidente com mais de 50% dos mandatos, o que, aliás, sempre aconteceu com Alberto João Jardim, note-se. Demais a mais, se são candidatos a Presidente, não deverão querer aceitar ser vice-presidentes de um governo, a não ser que o digam antes!
Terceiro, em nome do Interesse Regional, não seria melhor mostrarem-se disponíveis para exercer o cargo, se for essa a decisão do eleitorado, isto é, se a sua força política tiver uma larga maioria, mas, simultaneamente, estarem abertos a outras soluções viabilizadas pelo parlamento, nomeadamente a da formação de um Governo de Salvação, baseado num pacto estratégico, que incluísse os mais competentes nos diversos ramos do saber, para retirar a Madeira da situação de crise profunda em que se encontra?