Ângelo Ortega, António Sousa, José Correia; Domingos Vasconcelos (cap), Francisco Lopes e José de Sousa; José Ramos (Zé Pequeno); António Alves, António Teixeira (Camarão), Manuel Ramos e José Fernandes. Estes 11 rapazes do Almirante Reis conseguiram, a 6 de Junho de 1926, no Campo do Ameal, na cidade do Porto, o maior feito de sempre no desporto insular. Tornaram-se campeões nacionais de futebol. Jogavam pelo Marítimo e no próximo domingo, a sua memória estará nas novas bancadas do Estádio do CS Marítimo. Tal como as memórias do Pinga, do Tremura, do Checa, do Emanuel, do Ângelo, do Vasco, do Petita, do Noémio, do Olavo e de tantos, tantos e tantos outros. Tal como os pontapés do Heitor, a técnica do Ademir, a força do Pepe, os golos do Alex, os voos do Ewerton... A inauguração da primeira fase daquele que se pode apelidar como o “novo estádio” do Club Sport Marítimo não é apenas um ato formal, que traduz crescimento. É, também, uma homenagem a todos aqueles que nos antecederam e que com o seu esforço, com o seu talento e com a sua paixão contribuíram para que hoje os verde-rubros não sejam apenas o “maior das ilhas”, mas sim um dos maiores clubes nacionais. É também uma homenagem às centenas de milhares de adeptos que, desde 1910, vibraram com as vitórias, choraram as derrotas, emocionaram-se, riram, cantaram, choraram mas que nunca, em circunstância alguma, deixaram que uma equipa do Marítimo caminhasse sozinha. Que nunca, em circunstância alguma, permitiram que quem carregasse a orgulhosa bandeira verde e vermelha baixasse os braços. Que melhor homenagem se pode fazer a todos os maritimistas do que inaugurar o novo estádio? Porque também o novo estádio foi uma conquista árdua. Representa a vitória após um duro combate contra muitas forças de bloqueio, alimentadas por aqueles a quem o Marítimo, com a sua energia, com o apoio popular que tem, causa inveja. O novo estádio honra o passado, porque tal como todas as conquistas passadas, foi conseguida com “sangue, suor e lágrimas”. Orgulha-nos no presente. Contribui para preparar o futuro. Será uma “sala de espetáculos” moderna, dinâmica e gerida de forma a garantir a rentabilidade. Será um espaço, uma “caixa mágica”, que receberá condignamente os milhares de maritimistas que acompanham a equipa. Que sofrem pela equipa. Que, mesmo com a incomodidade de um estádio em obras, garantiram uma média de assistência superior, muito superior, à dos nossos rivais. Diariamente, sinto orgulho em pertencer à instituição Marítimo. Regozijo-me pelo facto de pertencer aos corpos sociais do Club Sport Marítimo e de ter acompanhado de perto todas as aventuras e desventuras que permitiram que, a 7 de Dezembro, passado, presente e futuro se juntem no mesmo espaço, no novo estádio verde-rubro. Gostava que o meu tio Camacho, responsável por eu ser do Marítimo, me acompanhasse nesse dia. Dir-lhe-ia o que me vai na alma, neste momento: Foi difícil, sim senhor, muito difícil. Mas a alma maritimista conseguiu!
Luís Filipe Santos Adepto do Marítimo