No momento que escrevo este texto ainda me estou a rir sobre o motivo que me fez escolher esta expressão para título desta minha opinião. E rio, não sei se pelo cómico da situação, se pelo pânico como a questão é tratada num momento em que se escolhe a pessoa que deverá liderar o destino do partido que governa a minha/nossa terra e que deverá ter capacidade de ganhar as eleições regionais do próximo ano E este título só comprova, integralmente, que os políticos, regionais, nacionais e mundiais, terão forçosamente de perceber que há necessidade de adotar uma nova forma de estar na política, obrigatoriamente diferente do modelo em prática neste momento. Vamos ao cerne da questão. Continuamos a discriminar, positiva ou negativamente, a população, rotulando-a de alguma forma. As classes sociais continuam a ter por base critérios económicos que acabam por diferenciar “castas” sociais. Mas são muitas vezes esses mesmos critérios económicos que impelem a mudar de status social e a descer… E esta crise económica já fez cair muitos impérios criados em cima de terreno arenoso e sem as fundações necessárias. Segundo a ótica marxista, vivamos num capitalismo desenvolvido ou num pré-capitalismo, a desigualdade social foca-se no poder de compra, no nível de escolaridade, no padrão de vida e no rendimento mensal auferido (seja oriundo de salário ou de rendas diversas). Quando se aplicam termos como “o Homem do Povo”, sinto-me a regredir rapidamente no tempo até à Idade Média, onde a classe dominante era a dos senhores feudais, mas onde a sociedade se dividia em Clero, Nobreza e Povo, estes últimos vítimas da coerção e compulsão dos senhores feudais que se apropriavam das suas terras e os obrigavam a lavrá-las para seu próprio benefício. Na atualidade, um político, ou aspirante a tal, é alguém que, independentemente do seu status social, procura ser investido dum mandato popular devendo ter a particular atenção de dar o exemplo, especialmente numa época caracterizada por uma severa austeridade como a que vivemos presentemente. Por este motivo, ao se submeter a sufrágio popular, creio que se esbatem as classes e os status, mas que o principal problema se centra no facto de, após a eleição, o até então candidato se esquece deste grande e importante detalhe: as suas origens, donde veio e, acima de tudo, quem o elegeu! Já o disse, neste espaço, e por mais de uma vez, que aos políticos muitas vezes falta saberem descer da redoma de vidro onde muitas vezes se enclausuram e onde se tornam quase autistas, incapazes de comunicar, de socializar, de responder a estímulos e, pior que tudo isto, são incapazes de se aperceberem que praticam estes atos. É necessário, repito-me, saber inverter o percurso de ascensão potenciado pela eleição e conviver diariamente com a população eleitora, ouvindo os seus problemas e dando resposta (ou tentando envidar esforços nesse sentido) às suas pretensões, Será que estou a ver mal esta questão ou teremos na nossa sociedade mais classes sociais do que eu conhecia? É que, se não somos todos do povo, a que classe pertencemos então? Assustam-me, sinceramente, estas ações de marketing político, onde se tentam vender ideias de valores que já não se aplicam na nossa sociedade… Mas antes usar o slogan do “Homem do Povo”, do que usar slogans que mais fazem lembrar a mítica máxima nazi do “Ein Volk, Ein Reich, Ein Führer”… E esta charada não será difícil de descobrir…
Nélio Olim