Juvenal Pereira Eu sei que o pai não fez por mal, viu-me com dificuldade em arranjar emprego, mandou – me sair de Portugal. Mas, sinceramente, estou arrependido de vir para aqui, é muito pior do que viver aí. Pai, eu não entendo esta gente daqui. A hipocrisia, o oportunismo, a incompetência, o malabarismo, transcendem tudo o que eu alguma vez pudesse ter previsto. A sociedade está descaraterizada, muita gente se não está, parece estar, marada. Diz mal de tudo e de todos, consoante lhes convém. Até mesmo do pai e da mãe. Mas, então, dos políticos, até nos faz um zumbido nos ouvidos. Mas, pai, note bem; sempre e quando lhes convém! Se é deputado, é um inútil, oportunista, que vive bem sem fazer nada na vida. Tratando-se dum governante- homem que está a mandar- de certeza que anda a roubar. É um corrupto, aldrabão, incompetente, ladrão. Atiram-se, então, contra a Justiça que até faz impressão. Ela não funciona, os juízes estão “comprados”, só condenam os desgraçados. Pai, acredite, é o que se ouve por todos os lados. Mas quando surge um juiz, “com a mostarda no nariz” que decide atuar, a LEI aplicar, com provas, por suspeita ou precaução, manda um político para a prisão, muitos dos que o insultavam antigamente são os primeiros a clamar que o preso está inocente. Um ou outro até diz que quem devia estar preso era o juiz! Um político só é sério e competente quando morre ou vai pela cadeia dentro! Nossa Senhora do Livramento. Quem entende esta gente? Pai, se não tem dinheiro para me fazer regressar, peça emprestado ao tio Aldónio, mas, por favor, retire-me deste “manicómio”. Até que já tenho saudades de Portugal, de chegar á minha terra e ver as iluminações de natal. Já ouvi dizer que estão lindas de morrer! As árvores coloridas que fazem as delícias de residentes e turistas. As ruas bem iluminadas, as ribeiras engalanadas, os anjinhos à porta da Catedral que bem lembram o Natal. Não vejo a hora de chegar à Madeira e ao nosso maravilhoso Funchal! Pai, aqui, não obstante o que eu já lhe disse que vi e ouvi, as iluminações de Natal, salvo uma ou outra exceção, são uma tremenda desilusão. Não sei se custaram muito ou pouco dinheiro, mas como sou estrangeiro escuso criticar, dar a minha opinião. Ainda me perguntam o que é que percebo de iluminação?! De modo que, quando me falam sobre as iluminações de Natal eu respondo que nunca vi coisa igual. Até me dão palmadinhas nas costas…por estar a ser simpático, sincero e leal! E confortado, por ter ficado a bem com Deus e com o diabo! Não sou como alguns franceses, alemães e ingleses que dizem que deviam ter comprado as iluminações numa loja de chineses.