A Madeira vive uma época decisiva. Estamos num claro fim de ciclo político e os madeirenses e portosantenses terão, em 2015, a oportunidade não de julgar o ciclo anterior, mas sim de escolher um caminho novo. Entrar nas próximas eleições a gritar a sete ventos que é preciso penalizar o PSD pela governação dos últimos 40 anos, fazendo dessa vozearia argumento principal, é derrota certa. Partindo desta premissa, é fácil perceber que fundamental será, em primeiro lugar, apresentar propostas sérias, concretas e exequíveis para os tempos mais próximos. Em segundo lugar, quem quiser ganhar terá obrigatoriamente de mostrar capacidade – demonstrando-o à priori - de governar de forma mais aberta, mais plural, integrando sectores da sociedade até agora pouco ou nada ouvidos, e outros que apenas são ouvidos quando dá jeito legitimar a tomada de decisão ou a circunstancial escolha de um argumentário político. Prestando menos atenção às nomenclaturas e muito mais atenção ao mérito. À liderança do novo ciclo concorrem três candidatos do PSD-M (Miguel Albuquerque, Manuel António Correia e João Cunha e Silva), o CDS-PP Madeira e o PS-Madeira. Não teço considerações sobre os primeiros. Entre os candidatos a candidato do PSD, quem tem de escolher são os militantes desse partido. Também não me compete fazer considerações sobre o PS-M, a não ser que a intransigência de Victor Freitas poderá ter fortes consequências eleitorais. Por outro lado, acredito que o CDS-PP Madeira pode exercer, de facto, a liderança deste novo ciclo. Tem gente, está unido, tem trabalho feito. Tem uma liderança experiente e que tem todas as condições internas para vencer externamente. O partido não pode, contudo, ter medo da palavra vitória. Tem de assumir ao que vai, e também que vai às eleições para as vencer. O Congresso do próximo fim de semana é o momento ideal para o fazer. Nos tempos que correm, quanto tudo é favorável, não ser claro nos objetivos dará um sinal de fraqueza que será penalizador em termos eleitorais. Uma equipa que está em segundo tem o dever de jogar para primeiro. Não há outra via. Sobretudo, quando todos os ventos estão a favor. Como é evidente, assumir que se vai entrar para ganhar tem riscos, sobretudo, os risco de tornar mesurável a fronteira entre vitória e derrota, mas não há razão para que o CDS-PP Madeira não o faça, correndo os riscos que tiver de correr.
Gonçalo Santos