Em jeito de balanço este ano foi de continuidade no engano. A “troika” foi-se embora, mas vida permanece imutável e penosa para a generalidade dos portugueses. Jardim não muda. Mas os seus delfins (odiados e estimados) prometem mudar, requentados pela liberdade de finalmente expressarem o que sentem, como se a aragem divina os expurgasse de quatro décadas de cumplicidades. Mas, mais vale tarde do que nunca, e perante a aridez de alternativas exequíveis, vou observando os actuais sofismas com que me deliciam ao ouvido. Seguro, o abstencionista de Passos Coelho, foi-se embora, mas Costa nada diz ao que vem, e tem a distinta lata de pedir maioria absoluta, para assinarmos em branco o seu programa oculto que escorre das suas bonitas palavras e discursos. Felizmente Sócrates, (talvez involuntariamente) refreou esse ímpeto do novo redentor socialista. Victor Freitas, o ex-segurista que espumava de Costa na campanha das Primárias (que nem na Madeira segurou as suas hostes), fez mais um número de cintura no último fim de semana no Congresso do PS na FIL, e lá “colou” forçadamente a Costa, com aquela disfarçada prosápia típica dos cata-ventos, que ficam de tocaia à melhor feição, chegando ao cúmulo de apresentar a Câmara do Funchal no congresso do PS, como um seu troféu de caça. PTP, BE, MPT e PAN coligados no Funchal, permanecem de carapuça enfiada. José Manuel Rodrigues, líder do CDS-M, levou tampa ao interessante desafio proposto a Victor Freitas. Ora, com líderes destes, que nem uma leitura assertiva sequer conseguem fazer de si próprios, eclipsados pela sua ridícula soberba, pode o PSD-Madeira concentrar-se na sua transição tranquila e “arrumar a casa”, algo pelo qual desespera a Região e muitos madeirenses, que já experimentam há um ano, o elevado custo de certas coligações que só vertem esgoto. E precisamente nesse campo da insalubridade política, assistimos que o PND, ou uma fracção daquele partido, permitiu a viabilização do próximo orçamento municipal do Funchal. Resta puxar o autoclismo, pois preservo muito a higiene, em detrimento de “arranjinhos intestinos”. Quer os literais ou os metafóricos, pois, são igualmente nauseabundos. Para esse peditório, acabaram-se-me as esmolas, e as linhas sem plágio, do género “cafofiano”. Um bom Natal a todas e a todos.
Donato Macedo Lic. em Comunicação