Indubitavelmente, este Nacional está em crise! Uma crise de resultados, assente numa má preparação de temporada. Os números não deixam enganar e disso é prova o facto deste ser o pior desempenho dos “alvi-negros”, desde o regresso da equipa ao convívio dos maiores do futebol português, em 2001. Chegados à 11ª jornada, nunca os madeirenses estiveram tão mal classificados (14º lugar) e com indicadores tão baixos. Para ver pior, temos de recuar aos três anos da primeira passagem “alvi-negra” pela primeira divisão. E aí, encontramos a época de 1990/1991 que acabou por ser de descida à IIª Divisão, onde o Nacional à 11ª jornada tinha os mesmos pontos de hoje (9) e quase a mesma diferença entre golos marcados e sofridos ( 6 marcados e 11 sofridos, contra os atuais 7/13). O momento é preocupante, e por várias vezes o treinador já manifestou a sua opinião. Ainda no passado fim-de-semana, após um paupérrimo jogo que culminou com um empate a zero na casa do Gil Vicente, Manuel Machado voltou a colocar o dedo na ferida. Falta qualidade, porque a formação do plantel foi defeituosa. Ora, perante este quadro, e depois de Rui Alves ter saído do clube, este já assumiu parte da sua culpa. Contudo, estranha-se o silêncio dos atuais responsáveis ao momento atual. Sim, porque o odioso da questão não pode e nem deve cair só sobre o ex-presidente. Os que lá estão hoje, estavam na altura com Rui Alves, mas ninguém os ouve. Rui Alves não foi para a Colômbia e para o Egipto sozinho, fazer contratações. Os sócios e adeptos do Nacional não se podem ficar apenas pelos lamentos do treinador. Ao que sei, está a ser feito um esforço enorme para se inverter o sentido das coisas, mas é preciso que alguém passe alguma mensagem para os adeptos. Mas, voltando aos números que confirmam este mau momento, recordo que o que salta mais à vista, para além da posição, é a fraca prestação ofensiva. Em onze jogos, o Nacional só acertou por sete vezes na baliza. Este pecúlio ganha ainda mais contornos preocupantes, quando olhamos para a tabela de marcadores e vemos que três jogadores da Liga já marcaram mais golos, do que toda a equipa do Nacional. E lembro que muito se falou da linha defensiva, mas aí as coisas estabilizaram e piores do que Nacional estão metade das equipas desta liga, incluindo o próximo adversário. A este nível, revelou-se importante o ajustamento feito por Machado a partir da 7.ª jornada, com a inclusão de Zainadine no eixo da defesa. Mas é no meio é que está o busílis da questão. O miolo não constrói com a qualidade exigida e assim a bola não chega aos avançados em boas condições. Há ajustamentos para fazer, sim senhor! Mas, também é certo que este plantel tem qualidade. Aqui e ali, pode haver excesso de juventude e inexperiência, mas a qualidade está lá. Se não tivesse, não se falava tanto em potenciais interessados em jogadores do Nacional. Para a reabertura de mercado já se ouve falar em nomes como Rondon, Miguel, Rui Silva, Ghazal, Boubacar, Marçal, Gomaa, entre outros. E se, destes, alguns querem dar o salto, convém dizr que esse objetivo passa muito por eles. A reabertura do mercado é já daqui a dias, e se alguém está com aspirações maiores tem de dar “corda aos sapatos”. E convém que seja já no próximo jogo. Não tanto por ser derby regional, mas por ser dia de aniversário do clube e pelo facto de serem precisos os pontos, que serão determinantes para o Nacional sair dos lugares inferiores da tabela. Os números recentes não deixam enganar. Em casa, o Nacional é superior ao Marítimo. Nos últimos 10 anos, venceu por 5 vezes, empatou 4 e só perdeu 1. A história vale o que vale, mas só os fortes ficam na história.

Miguel Guarda