No meu último artigo escrevi que Leonel Pontes tinha dois jogos para provar que o Marítimo correspondia aquela equipa que vimos nos primeiros jogos e não à que se apresentou frente ao Moreirense e em Setúbal. Primeiro o Atlético, na Tapadinha, para a Taça de Portugal e logo de seguida a recepção ao Boavista, este para Liga. No cômputo geral podemos dizer que foram duas provas superadas. Se bem que longe do fulgor dos jogos frente a Guimarães ou Académica, a verdade é que a equipa correspondeu às exigências e conquistou o mais importante: duas vitórias, garantido assim a qualificação para a ronda seguinte da Taça e a subida ao nono lugar na Liga. Se no jogo da Tapadinha o Marítimo ainda apresentou algumas dificuldades em suster o adversário (especialmente na parte final do jogo), já frente ao Boavista a equipa verde-rubra foi superior em todos os momentos do jogo. À semelhança do que aconteceu no jogo da Taça, Leonel Pontes apresentou um onze renovado, promovendo Sá no lugar do lesionado Salin, deixando João Diogo na bancada e Fransérgio no banco, e entrando com Maazou e Dyego Sousa para o centro do ataque, secundados nas alas por Edgar Costa e Vidales. Sendo verdade que logo no primeiro quarto da partida o Marítimo poderia ter arrumado a partida, também é verdade que foi uma primeira parte insonsa, onde se abusou do jogo direto e até algo descaraterizado (até porque o Dyego foi mais médio que ponta), e a ausência de resposta bem como uma gritante falta de imaginação do lado contrário, também não ajudou o espectáculo, fazendo com que o jogo se fosse arrastando e arrastando até ao intervalo. Na segunda parte, uma entrada forte do Marítimo seguida de um “harakiri” coletivo dos jogadores do Boavista, fizeram o resto. E podemos mesmo dizer, sem favor, que o resultado final foi muito lisonjeiro para o Boavista. Mas disso o Marítimo não tem culpa. São dois resultados que trazem moral e julgo que ninguém discutirá, nas vésperas do dérbi na Choupana, que é muito melhor trabalhar sobre vitórias... A próxima jornada dita um Nacional-Marítimo. Será já lugar-comum dizer que aqui pouco interessa a forma das equipas, assumindo este jogo características especiais face aos restantes. Assim o poderá ser mas não justificará tudo. Na minha opinião, neste momento, o Marítimo é a equipa mais forte, conforme demonstram a classificação e os números da época. Por isso espero um jogo intenso do meu Marítimo e focado na conquista dos três pontos. E deixo um alerta aos jogadores e equipa técnica (nunca é demais relembrar): estes jogos valem 15 pontos! E deixo o apelo a toda a massa associativa do Marítimo – vamos encher a Choupana com as nossas cores e apoiar o Marítimo, o “Maior das Ilhas” e arredores! Duas notas finais: mais uma vez a fortuna ditou um jogo no Estádio do Marítimo, frente a uma equipa da 2ª Liga na Taça de Portugal. Podemos dizer que foi um sorteio favorável, independentemente da responsabilidade e competência que se exige do Marítimo, já que não nos calhou um Sporting ou Benfica ou o Santa Maria. Quanto ao egípcio Ibrahim parece que já começa a ver a ‘luz’ desde que mudou de empresário e até já quer negociar. Afinal percebeu que o contrato que assinou não é em árabe, que por cá as cláusulas são para cumprir, e que corre o risco de ficar sem jogar até aos 27 anos. Maus ouvidos e maus conselhos nunca trouxeram coisa boa.

Luís Miguel Rosa Advogado