Num período de notória clivagem entre a classe política e sociedade civil, urge dignificar e respeitar o Parlamento, enquanto principal órgão representativo da vontade popular e da Autonomia conquistada em 1976. Creio ser absolutamente necessário criar condições para que tal aconteça, começando por dar os exemplos que forem indispensáveis para se alcançar esse objetivo. A credibilização tem de acontecer. Quer perante a população que elege os seus representantes, quer ao nível da imagem que a Madeira passa para o exterior. Da minha parte, estarei sempre disponível para ir ao Parlamento prestar os esclarecimentos que forem úteis, desde que a discussão seja pautada por elevação, educação e permita clarificar em vez de contribuir para aumento do ruído político. E pretendo ter com os adversários da oposição relações institucionais, democráticas e úteis no que concerne à defesa das instituições, das grandes questões que se coloquem à Madeira no futuro, e naquelas que tenham a ver com a definição do sistema político regional, nomeadamente a lei eleitoral, o financiamento dos partidos, o regimento da assembleia e o regime de incompatibilidades. Por isso mesmo, não entendo o leilão que se faz na praça pública, nomeadamente em relação ao “jackpot”, quando julgo que essa e as outras questões já referidas carecem, por serem fundamentais para o regime, da corresponsabilização dos vários partidos políticos. Estou certo que esse é o caminho a seguir. O do permanente diálogo institucional em torno das grandes discussões que, no meu entender, deve envolver todos os madeirenses. Julgo que o meu passado como parlamentar e, sobretudo, a forma dialogante e conciliadora como exerci essas funções - de que os meus adversários políticos de então podem dar testemunho - cujos resultados estão consagrados, por exemplo, na aprovação por unanimidade e aclamação do Estatuto Político Administrativo da Madeira na Assembleia da República, conferem-me legitimidade e credibilidade para liderar o PSD neste tempo de clarificação, pacificação e dignificação da vida política regional e das suas instituições. Isto não significa cedências. Antes pelo contrário. Projectos à parte, há regras que têm de ser comuns, consensuais, que obriguem à co-responsabilização, para alcançarmos o fim último que é a defesa intransigente do prestígio das instituições. Tudo faremos para que assim seja. A bem da democracia.

João Cunha e Silva Candidato a líder do PSD-M