Por entre a prisão preventiva de um antigo primeiro-ministro e a exaustiva cobertura mediática que a mesma mereceu, o Orçamento de Estado para 2015 foi discutido e aprovado na Assembleia da República. Apesar da previsibilidade da sua aprovação, fruto da maioria parlamentar existente, o voto contrário por parte dos deputados do PSD-Madeira foi suficiente para trazer à discussão pública um conjunto de temas controversos. Será a disciplina de voto compatível com o exercício livre do mandato de deputado? Será possível termos um governo estável sem o apoio de um grupo parlamentar coeso? Perguntas polarizantes e cujas respostas são merecedoras de um artigo próprio. Para hoje, releva outra pergunta: Porque votaram contra o Orçamento, os deputados eleitos pelo PSD-Madeira? Pergunto, não por inexistirem razões, mas pelas mesmas não terem sido comunicadas, por serem desconhecidas dos madeirenses. Ora, a representação democrática depende dos representados conhecerem o que os seus representantes fazem, e porque o fazem – na política a confiança depende da comunicação. Na ausência de razões conhecidas, os media encarregam-se de as construir, e assim fica a ideia de que se votou contra por birra, por represália, por nada que tenha a ver com a Madeira e com os madeirenses. Assim foi, também, com o projecto de revisão constitucional de Junho passado, mal explicado e fora de tempo como a sua inconsequência política viria a demonstrar. Numa altura em que a Madeira precisa de renegociar o seu plano de assistência financeira, em que reclama um sistema fiscal próprio, em que almeja por um Centro Internacional de Negócios renovado e mais competitivo, não podemos queimar pontes com o nosso interlocutor principal. Por isso, urge redefinir o relacionamento político entre a Madeira e a República, abandonando o tom bélico e de confronto constante e - sem subserviência - promover a cooperação e a entreajuda, disso depende mais e melhor autonomia para a Madeira.
João Paulo Marques