“Das Ilhas as mais Belas e Livres”. A descontinuidade territorial cria a ilusão de distância e fomenta a cultura do “eu” e às vezes do “inho”/pequeninho. A ilha é, por vezes, o somatório das pequenas “ilhas” que a compõem. De indivíduos ou de grupos de interesse específico que se sobrepõem ao todo. Mas, a Madeira não é o centro do mundo, nem o mundo tem centro. As centralidades são criadas por dinâmicas e parcerias alicerçadas no saber, na cooperação e na estrutura económica das sociedades. Essas competem entre si e não são fixas. Novos eixos geoestratégicos e socioeconómicos mudam constantemente a geografia dos países. Ficaríamos a ganhar se houvesse uma maior partilha da informação e de interesses comuns, não só entre nós, envolvendo todos os atores locais, como entre as Comunidades Madeirenses. Ganharíamos a dimensão numérica, logística e internacional que qualquer Plano Estratégico Regional recomendaria. Criar uma rede de parcerias privilegiadas a nível mundial. Optimizando-se as deslocações, reforçando-se a unidade entre madeirenses e afirmando-se a Madeira no mundo, nos mais diversos sectores seria pois uma prioridade. As celebrações do Dia da Região Autónoma da Madeira e das Comunidades Madeirenses e dos dias festivos mais emblemáticos no seio das mesmas poderiam constituir pretexto para o nosso reencontro enquanto povo singular mas também para a cooperação internacional nos diversos domínios e em todas as áreas que às partes interessassem. A nova centralidade, ou a nossa centralidade resultaria da “arte” da construção de uma Região dimensionada à escala planetária e na qual os madeirenses, onde quer que residam, pudessem contribuir para o nosso sucesso colectivo, com as mais diversas qualificações e experiências. Essa partilha completa e diferenciadora falta alcançar e só juntos a alcançaremos.

Gonçalo Nuno dos Santos