A relação de uma organização com os meios de comunicação tem de ser pautada pela observância, escrupulosa, de algumas regras Fez recentemente um ano que realizámos na Universidade da Madeira um “Workshop” relativo à comunicação institucional numa organização. Foi um Workshop muito interessante que contou com a presença de um Responsável de comunicação de uma instituição e de um Diretor de um meio de comunicação, como oradores principais. Este é um tema sempre muito atual, capaz de gerar debates e opiniões frequentes no seio de uma organização. Saber o que tem interesse para a opinião pública, saber o que é relevante para a própria instituição e conseguir gerir legítimas expectativas de quem quer ver o seu trabalho ou evento divulgado, são, muitas vezes, premissas muito difíceis de conciliar. No que concerne à relação de uma organização com os meios de comunicação, ela tem de ser pautada pela observância, escrupulosa, de algumas regras. Quando se pretende fazer a divulgação de uma proposta de notícia, os órgãos de comunicação social têm de ser tratados de forma idêntica. Ou seja, a divulgação deve ser realizada para todos, gerando nos órgãos de comunicação social a importante relação de confiança que tem de existir. Nesse sentido, a organização deve ter um único porta-voz em termos de comunicação. Esse porta-voz, normalmente um gabinete de comunicação, tem uma difícil e árdua tarefa entre mãos. Por um lado, tem de escalonar as propostas de notícias que se entregam aos órgãos de comunicação social, de modo a maximizar o impacto de todas elas. Por outro lado, tem de garantir que as propostas de notícias geradas pela organização são, de facto, potenciais notícias e que a imagem e os objetivos da comunicação são acautelados, junto dos órgãos de comunicação social e, por conseguinte, junto da opinião pública. Se o escalonamento, por vezes, já pode gerar algum desconforto, a capacidade de um gabinete de comunicação poder explicar que a divulgação de determinada informação ou evento não é relevante, para os média e, para a instituição é um enorme desafio. Até porque, os interesses da fonte de informação, da organização, dos média e, em última instância da opinião pública, por vezes, não se intersetam. Nestes casos, surge a necessidade de uma comunicação, também muito importante, no seio de uma organização – a comunicação interna. Nesse sentido, é crucial, por todos os motivos que a organização consiga estabelecer canais de comunicação internos em todas as direções. Este é um tema sensível, da maior importância, que requer o maior conhecimento e o maior cuidado em qualquer organização. Não é por acaso que inúmeras áreas de atividade que, no passado, viviam de costas voltadas para este tema, até com a alguma sobranceria, têm hoje uma perspetiva muito diferente. Para dar um exemplo, na área da ciência, existe, neste momento, um esforço continuado para dotar as organizações de especialistas, também na área da comunicação, algo que deve ser assinalado de modo muito positivo. Acresce, também, que o novo paradigma da comunicação social, quer em termos tecnológicos, quer em termos de modelo de negócio, veio colocar maior exigência às fontes de informação, uma vez que as redações dos média estão cada vez menores em termos de recursos humanos, obrigando que, muito do trabalho de comunicação deva ser triado e realizado a montante, ou seja, nas fontes de comunicação. Assim, enaltecendo a importância das fontes de informação e considerando a assunção da relevância da comunicação no seio das organizações, penso que estamos, cada vez mais, em condições de contribuir para uma maior e melhor comunicação. José Manuel Baptista Vice-Reitor da UMa
A relação de uma organização com os meios de comunicação tem de ser pautada pela observância, escrupulosa, de algumas regras
Fez recentemente um ano que realizámos na Universidade da Madeira um “Workshop” relativo à comunicação institucional numa organização. Foi um Workshop muito interessante que contou com a presença de um Responsável de comunicação de uma instituição e de um Diretor de um meio de comunicação, como oradores principais. Este é um tema sempre muito atual, capaz de gerar debates e opiniões frequentes no seio de uma organização. Saber o que tem interesse para a opinião pública, saber o que é relevante para a própria instituição e conseguir gerir legítimas expectativas de quem quer ver o seu trabalho ou evento divulgado, são, muitas vezes, premissas muito difíceis de conciliar. No que concerne à relação de uma organização com os meios de comunicação, ela tem de ser pautada pela observância, escrupulosa, de algumas regras. Quando se pretende fazer a divulgação de uma proposta de notícia, os órgãos de comunicação social têm de ser tratados de forma idêntica. Ou seja, a divulgação deve ser realizada para todos, gerando nos órgãos de comunicação social a importante relação de confiança que tem de existir. Nesse sentido, a organização deve ter um único porta-voz em termos de comunicação. Esse porta-voz, normalmente um gabinete de comunicação, tem uma difícil e árdua tarefa entre mãos. Por um lado, tem de escalonar as propostas de notícias que se entregam aos órgãos de comunicação social, de modo a maximizar o impacto de todas elas. Por outro lado, tem de garantir que as propostas de notícias geradas pela organização são, de facto, potenciais notícias e que a imagem e os objetivos da comunicação são acautelados, junto dos órgãos de comunicação social e, por conseguinte, junto da opinião pública. Se o escalonamento, por vezes, já pode gerar algum desconforto, a capacidade de um gabinete de comunicação poder explicar que a divulgação de determinada informação ou evento não é relevante, para os média e, para a instituição é um enorme desafio. Até porque, os interesses da fonte de informação, da organização, dos média e, em última instância da opinião pública, por vezes, não se intersetam. Nestes casos, surge a necessidade de uma comunicação, também muito importante, no seio de uma organização – a comunicação interna. Nesse sentido, é crucial, por todos os motivos que a organização consiga estabelecer canais de comunicação internos em todas as direções. Este é um tema sensível, da maior importância, que requer o maior conhecimento e o maior cuidado em qualquer organização. Não é por acaso que inúmeras áreas de atividade que, no passado, viviam de costas voltadas para este tema, até com a alguma sobranceria, têm hoje uma perspetiva muito diferente. Para dar um exemplo, na área da ciência, existe, neste momento, um esforço continuado para dotar as organizações de especialistas, também na área da comunicação, algo que deve ser assinalado de modo muito positivo. Acresce, também, que o novo paradigma da comunicação social, quer em termos tecnológicos, quer em termos de modelo de negócio, veio colocar maior exigência às fontes de informação, uma vez que as redações dos média estão cada vez menores em termos de recursos humanos, obrigando que, muito do trabalho de comunicação deva ser triado e realizado a montante, ou seja, nas fontes de comunicação. Assim, enaltecendo a importância das fontes de informação e considerando a assunção da relevância da comunicação no seio das organizações, penso que estamos, cada vez mais, em condições de contribuir para uma maior e melhor comunicação.
José Manuel Baptista Vice-Reitor da UMa