A forma como os resultados dos exames nacionais são analisados e apresentados à opinião pública proporciona uma avaliação redutora e discriminatória das escolas. Os diversos setores da sociedade, embora tenham consciência, por um lado, de que umas escolas realizam 20 exames, outras 300 e 500 e, por outro, de que existem outras varáveis que influenciam, decisivamente, o desempenho dos alunos, continuam, todavia, a definir a qualidade do ensino das escolas de acordo com a sua colocação nos rankings, provocando uma competição desigual e negativa. Para garantir uma maior seriedade na avaliação das escolas e reconhecer a complexidade do trabalho dos professores, torna-se necessário dispor as escolas tendo em conta o seu meio envolvente e o contexto socioeconómico das famílias dos alunos, isto é, criar também o ranking social das escolas. Estabelecer um ranking sem ponderar esta vertente social choca demasiado, pelo modo como discrimina as escolas, desvirtua a missão do ensino e a qualidade do trabalho pedagógico dos professores. Um ranking social das escolas implica a sistematização da informação sobre o contexto económico, social e cultural dos alunos que realizam os exames, bem como o tratamento rigoroso dos dados. Assim, as escolas seriam ordenadas de acordo com o resultado dos seguintes indicadores: nível de formação dos pais/encarregados de educação; situação económica das famílias; quantidade de alunos a beneficiar dos apoios da ação social escolar; alunos acompanhados pelas comissões de proteção de crianças e jovens; alunos institucionalizados e, por fim, identificar a quantidade de alunos que usufruem de explicações nas disciplinas de exame. A partir desta realidade social, passaríamos a ter uma visão diferente dos resultados dos exames e poderíamos perceber, com maior fiabilidade, quais as escolas que necessitariam de um reforço dos apoios financeiros e outros recursos humanos e pedagógicos.
Rui Caetano Professor