Olá! Sou a Isabel e venho contactar-vos em nome do meu irmão, Miguel Paixão. O Miguel tem 30 anos e é detentor de uma Paralisia Cerebral desde o seu nascimento. É simpático, de coração mole, divertido e extrovertido. Adora passear, conversar, discutir temas atuais e frequenta o Centro de Atividade Ocupacionais de Machico. Sempre cresceu a lutar contra as inúmeras barreias colocadas pela vida. Desde sempre a sua marcha é feita com um andarilho, pois e por preguiça as ‘canadianas’ e o Miguel nunca conseguiram desenvolver uma relação de proximidade, mas para longas distâncias usávamos uma cadeira de rodas. Aos 15 anos tinha uma enorme vontade de poder passear numa cadeira que lhe desse autonomia suficiente para conseguir ir mais longe. Nesta altura, os pais reuniram as condições necessárias e logo que possível conseguiram ‘presenteá-lo’ com aquilo que desejava. A vida mudou. Os passeios começaram a fazer mais sentido e os encontros com as pessoas amigas ganharam outro ‘sabor’. Com o passar do tempo - crescimento, desenvolvimento ósseo e todo o processo normal e comum a todos nós, o Miguel requer maiores e melhores condições. É de salientar que ele tem um deslocamento de rotulas, resultantes de um não acompanhamento do seu desenvolvimento, pelo que e constantemente se queixa de dores nos joelhos, o que o impede de se deslocar em marcha “autónoma” com o seu andarilho, requerendo o maior uso da cadeira. Como qualquer meio de transporte, utensilio ou qualquer material que requeira manutenção, a cadeira do Miguel tem não fica indiferente. Baterias novas, manutenção de comandos e de sistemas, tudo isto tem tido o merecido e devido cuidado, mas nem sempre é o suficiente. Já numa fase adulta, não basta efectuar a manutenção de todo o sistema da cadeira. Por vezes esquecemo-nos que os nossos mais próximos crescem e, na verdade, requerem outros cuidados. A cadeira já pouco sinal dá. A verdade é que desde Julho que começamos a notar que reparação após reparação o melhor seria mesmo começar a pensar em adquirir uma nova cadeira, adequada às condições do meu irmão. Contactamos vários fornecedores a fim de obtermos orçamentos e, embora com noção dos valores de mercado, fiquei sem saber como dar resposta a esta necessidade. Hoje em dia a oferta é de facto diversificada, mas as condições… essas nem sempre são as melhores para quem realmente necessita de uma cadeira para se deslocar. Exigem-nos 100% do valor para podermos adquirir o produto e neste momento nem os pais, nem eu conseguimos satisfazer a necessidade do Miguel. Como cidadã faz-me imensa confusão a falta de consideração, muitas vezes existente, para com as pessoas que apresentam as suas limitações. Tenho a minha actividade profissional e nem sempre posso estar com o meu irmão como queria. Actualmente a vida dele tem sido casa-CAO-casa, pois co resto não pode fazer só com o andarilho. Tenho vindo a notar que o isolamento tem sido a opção mais tomada, o que me deixa cada vez mais preocupada. Não sei se me adianta alargar muito mais sobre a situação, a verdade é que o Miguel anda triste, recusa sair de casa - muitas vezes diz-nos que não vai estar a ocupar ninguém, fazendo passar muitas vezes a ideia de que se considera um peso para com os restantes, o que nos deixa, a mim e aos nossos pais, numa situação difícil. Não só e apenas como irmã, mas usando a relação para a esta situação venho, através desta exposição, solicitar-vos algum apoio, ou alguma ‘luzinha’ para que seja possível colocar o sorriso no rosto do Miguel. Hoje, falávamos do Natal e ele dizia “ Não tenho idade para estas coisas, mas neste Natal gostava muito de acordar e poder voltar a caminhar com a autonomia da minha companheira cadeira”. Não sei que mais vos posso dizer, mas é certo que se todos pensarmos um pouco nesta situação, haverão de caminhar rumo a uma solução. Atentamente. A irmã orgulhosa.